ATENO:

ESTE LIVRO FOI DIGITALIZADO PARA USO EXCLUSIVO DE PESSOAS COM DEFICINCIA VISUAL GRAVE. ISTO PORQUE ESTES CIDADOS TM DIFICULDADE DE ACESSO A LEITURA QUE VO MUITO 
ALM DA FALTA DE CONDIES FINANCEIRAS NA OBTENO DE LIVROS. AMIGO DV, POR FAVOR, SEJA CONSCIENTE E RESPEITE. NO REPASSE ESTA OBRA A PESSOAS QUE NO SO PORTADORAS 
DE DEFICINCIA VISUAL, SOB PENA DE FERIR OS DIREITOS AUTORAIS E PREJUDICAR ASSIM A NS MESMOS NO FUTURO. QUEM DIGITALIZA LIVROS SABE O QUANTO  DIFCIL ESTE TRABALHO 
E A SUA CORREO POSTERIOR. NUM MOMENTO EM QUE ESTAMOS TENTANDO COM AS EDITORAS QUE ESTES VENHAM DIGITALIZADOS E CORRIGIDOS PARA NS, NO SERIA UMA BOA QUE ESTAS 
OBRAS FICASSEM POR A PARA QUALQUER UM TER ACESSO. SUA CABEA  O SEU GUIA!

SINTAXE 
1 
CAPTULO 17 
TEORIA GERAL DA FRASE E SUA ANLISE 
CONCEITO DE FRASE 
Frase  uma unidade verbal com sentido completo e caracterizada por entoao* tpica: um todo significativo, por intermdio do qual o homem exprime seu pensamento 
e/ou sentimento. Pode ser brevssima, constituda s vezes por uma s palavra, ou longa e acidentada, englobando vrios e complexos elementos. 
Exemplos: 
a) Fora! 
b) "Do teu Prncipe ali te respondiam 
As lembranas que na alma lhe moravam, 
Que sempre ante seus olhos te traziam 
Quando dos teus fermosos se apartavam: 
De noite, em doces sonhos que mentiam; 
De dia, em pensamentos que voavam; 
E quanto enfim cuidava e quanto via 
Eram tudo memrias de alegria." (CAMES, Os Lusadas, III, 121) 

TIPOS DE FRASE 
s vezes, a simples situao em que  proferido um vocbulo faz que ele se torne uma frase.  o caso, por exemplo, da exclamao 


* A entoao, trao essencial para a conceituao de frase,  o que lhe d, a esta, unidade de sentido, demarcando-lhe comeo e fim, e apontando-lhe o propsito (declarativo, 
interrogativo, etc.). 

232 


- Fogo!, pronunciada diante de um prdio em chamas; ou da advertncia - Silncio!, feita a algum num corredor de hospital. 

H cinco tipos de frase: 
a) Declarativa - com a qual enunciamos um juzo a respeito de alguma coisa, ou pessoa: 

Por fim, o sol escondeu-se. 
Iracema saiu do banho. 
Deus  perfeito. 

b) Interrogativa - com a qual perguntamos alguma coisa: 

Como? 
Porque fugiste de mim? 
Quanto lhe devo? 

c) imperativa - com a qual exortamos algum a praticar ou deixar de praticar um ato: 

Meia volta! 
No saia daqui. 
Honrars pai e me. 

d) Exclamativa* - com a qual exteriorizamos principalmente o nosso estado de alma (admirao, repulsa, irritao, desprezo, etc.): 

Ah! senhor, que grande mdico! 
Que raio de escuro! 
Bem feito! 

e) Indicativa - com a qual traduzimos sumariamente um pensamento que se entende em sua plenitude por fora da situao em que 
proferimos a frase 
 o que sucede em casos como os dos exemplos citados (Fogo! Silncio!), ou nos anncios, ou ttulos de casas comerciais, ou preges  de vendedores ambulantes, etc. 
Exemplos: 
Vende-se (afixado num terreno, numa casa, num objeto qualquer). 
Peixeiro! (prego de vendedor). 
A direita (para orientar o movimento de veculos na rua). 


* A rigor, as frases exclamativas no deveriam constituir um tipo  parte, seno que . 'el modo predominantemente emocional de cualquiera de elias". (Amado Alonso 
e Pedro Henrquez Urefia, ob. cit., p. 24). 
233 

A frase ser, ainda, afirmativa, ou negativa, conforme nela se afirme ou negue alguma coisa. 

CONCEITO DE ORAO 
Orao  a frase - ou membro de frase - que se biparte normalmente em sujeito e predicado. 
Em certo tipo de orao, pode, todavia (como se ver pouco adiante). 
faltar o sujeito. 
Serve de modelo a frase declarativa, manifestao de um juzo,  
qualquer trao dominante de natureza emotiva, capaz de perturbar- 
lhe a organizao gramatical. 
Comparem-se as duas frases: 
- A sala est suja. -, 
expresso de uma opinio refletida sobre o estado da sala, 
e 
- Que sala suja! -, 
frase interpretadora, principalmente, de nosso sentimento de repulsa 
diante da sujice da sala. 
Por a se v que a diferena entre frase e orao reside na forma. O grito 'socorro!'  uma frase, j que expressa um sentido completo. todavia, no  uma orao, 
pois para isso carece dos elementos de estrutura caractersticos da orao: no est partida em sujeito e predicado. Por outro lado, em 'Quero que voc leia este 
livro', o conjunto 'que voc leia este livro'  uma orao enquanto ao critrio formal. porque possui os termos lgicos fundamentais; no , porm, por se contedo, 
uma frase, uma vez que no tem sentido unitrio e completo 

TERMOS BSICOS DA ORAO 
Em sua estrutura bsica, a orao consta de dois termos: 
- Sujeito: o ser de quem se diz algo; 
- Predicado: aquilo que se diz do sujeito. 
234 

1. O SUJEITO 
O sujeito  expresso por substantivo, ou equivalente de substantivo. As vezes, um substantivo sozinho exprime o sujeito da orao: 

Deus  perfeito! 

Casos h, no entanto, em que sentimos necessidade de precisar ou 
restringir a significao do substantivo: 

Brancas pombas castssimas voavam. 

Neste exemplo, o sujeito no se compe apenas de um substantivo, mas, ao contrrio, de um substantivo acompanhado de outros elementos que lhe precisam ou limitam 
o sentido fundamental. Diz-se, ento, que o substantivo  o ncleo do sujeito. 
Quando apresentar um s ncleo, o sujeito  simples; havendo mais 
de um ncleo, chama-se composto. 

Exemplos: 
A cegueira lhe torturava os ltimos dias de vida (sujeito simples). 
A cegueira e a pobreza lhe torturavam os ltimos dias de vida 
(sujeito composto). 

O sujeito ainda pode ser determinado, ou indeterminado.  determinado, se identificvel na orao - explcita ou implicitamente; indeterminado, se no pudermos ou 
no quisermos especific-lo. 
Para indeterminar o sujeito, vale-se a lngua de um dos dois expedientes: 
1) Empregar o verbo na 3 pessoa do plural, sem referncia anterior ao pronome eles ou elas, e a substantivo no plural; 
2) Us-lo na 3 pessoa do singular acompanhado da partcula se, desde que o verbo seja intransitivo, ou traga complemento preposicional. 

Exemplos: 
Falam mal daquela moa. Vive-se bem aqui. 
Mataram um guarda. Precisa-se de professores. 

ORAO SEM SUJEITO 
Pode dar-se o caso de a orao ser destituda de sujeito: com ela, referimo-nos ao processo verbal em si mesmo, sem o atribuirmos a nenhum ser. Nem h o propsito 
de esconder o sujeito, atitude psicolgica orientadora das construes indeterminadas. 
235 

So oraes sem sujeito - entre outras - as que denotam fenmenos da natureza (chove, trovejou ontem, anoitece tarde durante o vero) e as que tm os verbos haver, 
fazer, ser, empregados impessoalmente em construes como as seguintes: * 

H grandes poetas no Brasil. 
Fazia muito frio naquele ms. 
Fez ontem trs anos que ele se doutorou. 
Era ao anoitecer de um dia de novembro... 
Seriam talvez duas horas da tarde. 
Hoje so 22 de outubro. 

Note-se que a impessoalidade de tais verbos se estende aos auxiliares 
que com eles formam perfrases, como se v nos exemplos abaixo; 

No podia haver notcias mais tristes. 
Costuma haver reunies s teras-feiras. 
Vai fazer cinco anos que voc se casou. 



COLOCAO DO SUJEITO NA ORAO 
Considera-se ordem direta aquela em que o sujeito vem no roSTO 
da orao, seguindo-se-lhe o verbo acompanhado dos seus complementos, 
com o primeiro lugar entre estes reservado para o objeto direto. 

Exemplo: 
Sua presena inspira confiana aos jovens. 

A lngua portuguesa, entretanto, oferece grande liberdade de movimentos neste particular, permitindo-nos, com freqncia, adotar 
ordem inversa. 
At mesmo certas inverses, especialmente do sujeito em relao 
ao verbo, j so consagradas pelo uso tradicional da linguagem culta. 

INVERSO NORMAL DO SUJEITO 
Nas condies a seguir enumeradas, a ndole do idioma inclina, de
maneira notria, para a inverso verbo + sujeito: 
a) Nas oraes interrogativas, iniciadas por que, onde, quanto, como, quando e por que: 

* o arrolamento das construes impessoais foi feito por Epifnio Dias, Sintaxe histrica portuguesa, cit., pp. 15 a 22. 
236 


Que desejam vocs? Onde esto as crianas? Quanto custou o livro? 
Como fugiu o ladro? Quando chegar o navio? Por que foi embora a empregada? 

Intercalando-se a locuo  que, deixa de prevalecer tal preferncia: 

Que  QUE vocs desejam? Quando  QUE o navio chegar? 

Do mesmo modo, quando a interrogao no comear pelos referidos pronomes ou advrbios, o comum  a colocao do sujeito antes do verbo, indicando-se o valor interrogativo 
apenas pela pronncia ascendente: 

Seu filho passou no exame? O navio chegar ainda hoje? 

b) Nas oraes da voz passiva, construdas com a partcula se: 

Vendem-se carros usados. No se aceitam reclamaes posteriores. 

e) Nas oraes que contm uma forma verbal do imperativo - sempre que, para efeito de realce, for enunciado o pronome pessoal sujeito: 

Eu no cumprirei essas ordens absurdas; cumpre-as tu, se quiseres. 

d) Com os verbos dizer, perguntar, responder, etc., nas oraes que aparecem como elemento adicional em que se acrescenta a pessoa 
que proferiu a orao anterior: 

Renunciarei ao cargo! disse o ministro. 
- Que sabe a respeito do ponto sorteado? - perguntou o examinador. 

Tais oraes podem vir intercaladas: 

Mas isso - exclamou o sacerdote -  um sacrilgio! 

e) Quando a orao se inicia por advrbio fortemente enftico: 

L vo eles, l vo... 
AQUI est o seu dinheiro! 

Uma inverso que requer cuidado 
 habitual, ainda que no sistemtica, a inverso do sujeito a VERBOS INTRANSITIVOS como aparecer, chegar, correr, restar, surgir, etc. - o que pode levar o leitor 
a interpretar como objeto direto o sujeito posposto. Convir, ento, lembrar-lhe que, ao analisar uma orao, a primeira coisa que se faz  examinar a natureza do 
verbo (se ele  intransitivo, ou transitivo) e, logo aps, procurar o seu sujeito. 
237 
Exemplos: 
Apareceu, enfim, o cortejo real. 
Chegaram boas notcias! 
Correm, pela cidade, os boatos mais contraditrios. 
Restam, ainda, algumas esperanas. 
Meia-noite: surgiu o Ano Novo! 

2. O PREDICADO 
O predicado pode ser: 
Nominal. 
Verbal. 
Verbo-nominal ou misto. 

PREDICADO NOMINAL 
O predicado nominal tem por ncleo um nome (substantivo, adjetivo, ou pronome). 
Consideremos as seguintes frases: 
Pedro  doente 
est 
anda 
permanece 
continua 
ficou 
parece 
Em todas, a declarao feita relativamente ao sujeito Pedro contm-se no adjetivo doente.  Este adjetivo , na realidade, o predicado; mas, pelos seus carteres 
de forma e posio, recebe particularmente o ttulo de nome predicativo, ou, apenas - predicativo. Os verbos que a figuram (ser, estar, andar, permanecer, continuar, 
ficar, parecer) so elementos indicativos dos diversos aspectos sob os quais se considera a condio de doente em relao a Pedro. Chamam-se verbos de ligao. 

PREDICADO VERBAL 
O predicado verbal, que exprime um fato, um acontecimento, uma ao, tem por ncleo um verbo, acompanhado, ou no, de outros 
elementos. 
238 


Da natureza desse verbo  que decorrem os mais termos do predicado. Verbos h que so suficientes para, sozinhos, representar a noo 
predicativa. Chamam-se intransitivos. 
Exemplos: 
Neva. O soldado morreu. Todos fugiram. 

Outros, ao contrrio, requerem, para a cabal integridade do predicado, a presena de um ou mais termos que lhes completem a compreenso. So os verbos transitivos. 
Exemplos: 
A criana encontrou (o qu?) A criana acudiu ) (a quem?) 
A criana comprou (o qu? ) O professor aludiu (a qu?) 
A criana deu (o qu?) (a quem?) 
Os alunos pediram (o qu?) (a quem?) 

Em funo do tipo de complemento que exigem para formar uma 
expresso compreensiva, os verbos classificam-se, pois, em dois grandes grupos: 
- Intransitivos: ou de predicao completa. 
- Transitivos: ou de predicao incompleta. 

PREDICADO VERBO-NOMINAL OU MISTO 
O predicado verbo-nominal ou misto tem dois ncleos: um, expresso por um verbo, intransitivo ou transitivo; outro, indicado por um nome, 
chamado, tambm, predicativo. 
A razo  que o predicado misto representa a fuso de um predicado 
verbal com um predicado nominal. Exprimindo um fato, encerra a definio de um ser. 
Cumpre distinguir dois casos: 
1) O predicativo se refere ao sujeito da orao: 

O trem chegou atrasado. * 

onde os elementos resultantes da decomposio seriam: 
O trem chegou. 
e 
(O trem estava) atrasado. 
* . Nada mais claro nem mais conciso do que esses dizeres em que dois vocbulos valem, associados, por duas proposies distintas. Partiu doente resulta dos pensamentos 
partiu e estava doente quando partiu. Da( o uso, em latim e outros idiomas, do caso nominativo para o anexo em tais frases. A anlise do gramtico ou lingista no 
compete, claro , volver a essa operao psicolgica nem decompor em muitas palavras o que a linguagem se limita a expressar em dois vocbulos." (Said Ali, Gramtica 
histrica da lngua portuguesa, cit., p. 157, nota). 
239 

2) O predicativo se refere ao objeto direto e, mais raramente, a indireto, exprimindo, s vezes, a conseqncia do fato indicado no 
predicado verbal: 

A Bahia elegeu Rui Barbosa senador, 

como que cruzamento das oraes: 

A Bahia elegeu Rui Barbosa. 
e 
(Rui Barbosa ficou) senador. 

Exemplo de predicativo do objeto indireto: 
Todos lhe chamavam ladro! 
O predicativo ladro se refere ao objeto indireto lhe. 

O predicativo pode vir precedido de uma das preposies de, em, para, por, da palavra como, ou de locuo prepositiva. 

Exemplos: 
Ele graduou-se de doutor. 
Davi foi ungido em rei. 
Todos o consideravam como um aventureiro. 
Sempre o tiveram por sbio (ou na conta de sbio). 

TERMOS INTEGRANTES DA ORAO 
Subordinados respectivamente ao ncleo substantivo e ao ncleo verbal, distinguem-se na orao duas espcies de termos integrantes 
complementos: 
O complemento nominal. 
- Os complementos verbais. 
- O agente da passiva. 

1. COMPLEMENTO NOMINAL 
Complemento nominal  o termo que integra a significao transitiva do ncleo substantivo (e, s vezes, do adjetivo e do advrbio, dos
quais, ento, se equiparam ao substantivo na sintaxe de regncia). 
240 

Tais complementos tm recebido vrias denominaes: objeto nominal (Maximino Maciel), adjunto restritivo (Alfredo Gomes), complemento restritivo (Carlos GES), complemento 
terminativo (Eduardo Carlos Pereira, Sousa Lima). 
Exemplos: 
A inveno da imprensa foi um grande acontecimento. 
Sua resposta ao examinador provocou palmas. 
Foi transferida nossa viagem a So Paulo. 
A sentena foi favorvel ao ru. 
O Senado votou contrariamente  pena de morte. 

Para facilitar-lhe a identificao, convm ter presentes as seguintes regras prticas: 
1) Tratando-se de adjetivo, ou advrbio, no h a menor dvida: 
o termo que a eles se liga por preposio , SEMPRE, complemento  nominal: 
a) Ofensivo  honra, prejudicial  sade, til  coletividade, igual a mim; responsvel pelo desastre; confiante no futuro; desejoso de glria; tolerante com os 
amigos, etc. 

b) Independentemente de minha vontade; desfavoravelmente a ns; contrariamente aos nossos desejos, etc. 

2) Tratando-se, porm, de substantivo,  preciso cuidado para no confundir o complemento nominal com o 'adjunto adnominal', que, quando expresso por locuo adjetiva, 
se apresenta com a mesma forma daquele:
 preposio + substantivo. 
Comparem-se: 
copo de vinho (adjunto) 
rosa com espinhos (adjunto) 
Como, pois, fazer a distino'? 
A diferena consiste em que os substantivos do primeiro grupo (copo, 
rosa) so intransitivos; ao passo que os do segundo (invaso, conversa)  admitem emprego como transitivos - o que somente pode acontecer: 

a) Com o substantivo abstrato de ao, correspondente a verbo da mesma famlia que exija objeto (direto, ou indireto), ou complemento 
circunstancial: 
inverso da ordem (cf. inverter a ordem - objeto direto); obedincia aos pais (cf. obedecer aos pais - objeto indireto); ida a Roma (cf. ir a Roma - complemento 
circunstancial). 
invaso da cidade (complemento) conversa com o pai (complemento) 
241 

b) Com o substantivo abstrato de qualidade, derivado de adjetivo que possa usar-se transitivamente: 
certeza de vitria (cf. certo da vitria); 
fidelidade aos amigos (cf. fiel aos amigos). 
Observao: 
Esta tentativa de sistematizao didtica parece-me satisfatria para orientar os estudantes.  Se bem que, do ponto de vista do ensino elementar, a distino entre 
'complemento nominal' e 'adjunto  adnominal' se afigure algo perturbadora e, at, suprflua - certo  que esteia em Conceitos lingsticos que no podem deixar de 
levar-se em conta numa descrio fiel da estrutura da frase.
 
O cerne da questo mergulha razes no conceito (por excelncia complexo) de transitividade e intransitividade; e ainda se prende, em certa medida, ao problema (menos 
complexo) de emprego concreto ou abstrato do substantivo. 
Ora, apenas substantivos abstratos de ao, relacionados a verbos transitivos amarrados a complemento circunstancial por preposio determinada, podem, por definio, 
ser 'transitivos'; o mesmo passa com substantivos abstratos de qualidade, derivados de adjetivos transitivos. Desde que se concretizem, ou a ao ou a qualidade 
por eles expressa no transborde para um 'objeto' - tornar-se-o intransitivos. 
Eis por que, muita vez, ao mesmo ncleo substantivo se junta variavelmente complemento nominal ou adjunto adnominal, conforme o termo preposicionado represente ou 
no, o 'objeto' da ao. Acrescente-se que esses casos  primeira vista ambgu ocorrem to-s com a preposio de, em razo, porventura, de ser ela a mais vaz das 
preposies. 
Cotejem-se os seguintes exemplos: 

a) A inveno de palavras caracteriza o estilo de Guimares Rosa. 
(Complemento nominal: 'palavras'  o objeto, a coisa inventada, o paciente da ao  contida no substantivo 'inveno' - aqui usado, portanto, transitivamente). 
b) A inveno de Santos Dumont abriu caminho  era interplanetria. 
(Adjunto adnominal: 'Santos Dumont' no  o objeto da ao, o paciente, a coisa inventada; e sim o seu agente. A ao expressa pelo substantivo no vai alm dele, 
o que lhe d o carter de palavra intransitiva). 
Basta que o substantivo, ainda que abstrato de ao, venha empregado como correto, para que desaceite complemento nominal. 
Ponham-se lado a lado estas frases: 
a) A plantao de cana enriqueceu, outrora, a economia do pas. 
(Complemento nominal: 'plantao' tem, aqui, valor abstrato - a ao de planta  cujo objeto  'cana'). 
b) Em poucas horas, o fogo destruiu toda a plantao de cana. 
(Adjunto adnominal: j agora, 'plantao'  nome concreto, e, portanto, intransitivo. 
De tudo decorre, por outro lado, que ao mesmo ncleo substantivo se possam subordinar, ao mesmo tempo, adjuntos e complementos nominais - a exemplo de construes 
como estas: 
a) O amor de Jesus s criancinhas... 
(Adjunto adnominal: 'de Jesus'; compl. nominal: 's criancinhas'). 
b) A derrota de Napoleo em Waterloo... 
(Ambos so complementos nominais: 'de Napoleo' e 'em Waterloo'). 
242 


2. COMPLEMENTOS VERBAIS 
So os seguintes: 
Objeto direto 
Objeto indireto* 
Complemento relativo 
Complemento circunstancial 

OBJETO DIRETO 
Objeto direto  o complemento que, na voz ativa, representa o paciente da ao verbal. Identifica-se facilmente: 
a) porque pode ser o sujeito da voz passiva; 
b) porque corresponde, na 3 pessoa, s formas pronominais tonas o, a, os, as. 
O objeto direto indica: 
a) o ser sobre o qual recai a ao: 

Castigar o filho. 
Louvar os bons. 

b) o resultado da ao: 

Construir uma casa. 
Criar um poema. 

c) o contedo da ao: 

Prever a morte do ditador. 
Discutir poltica. 

Objeto Direto Preposicional 
Ordinariamente no  o objeto direto precedido de preposio; todavia, casos h em que ela figura em carter facultativo, e outros, at,  em que a sua presena se 
faz de rigor. 
O complemento chamar-se-, ento, objeto direto preposicional.  OBRIGATRIO, na linguagem moderna, o emprego da preposio:** 


* Nem sempre (como adiante veremos) o objeto indireto  'complemento verbal', mas sim 'termo integrante do predicado - verbal, nominal, ou verbo-nominal' -,  independentemente 
da natureza do verbo. 
** o objeto direto preposicional com a, largamente desenvolvido em espanhol,  tambm freqente no galego. O francs e o italiano literrio no o empregam. Ele aparece, 
ainda, de modo espordico, no catalo, no sardo e em alguns dialetos provenais e da Itlia meridional. Fato paralelo ocorre no romeno, porm com a preposio pe 
(latim per). 
243 


1) Com as formas tnicas dos pronomes pessoais: 
"Jlio Csar conquistou 
O mundo com fortaleza; 
Vs a mim com gentileza." (CAMES) 
"Rubio viu em duas rosas vulgares uma festa imperial, e esqueceu a sala, a mulher e a si." (MACHADO DE Assis)
 "Quem sabe se o destino marcara justamente a ela como a dela?" (MONTEIRO LOBATO) 
2) Com o pronome quem, de antecedente expresso: 
"(...) perdi meu pai e senhor a quem muito amava..." (RODRIGUES LOBO) 
"Eu sou Daniel, aquele eremita, a quem tal ano, e dia hospedaste em tua casa..." (BERNARDES) 

3) Com o nome Deus: 
"Que muito fazes em louvar a Deus, quando vives em prosperidade, quando em abundncia, quando sem vexao nem injria de algum?" (BERNARDES) 
"S h uma coisa necessria: possuir a Deus." (RUI BARBOSA) 

4) Quando se coordenam pronome tono e substantivo: 
"(...) o reitor o esperava e aos seus respeitveis hspedes...' 
(HERCULANO 
"Foi a comadre do Rubio, que o agasalhou e mais ao cachorro 
vendo-os passar defronte da porta." (MACHADO DE Assis) 

5) Quando um verbo transitivo direto se usa impessoalmente, acompanhado da partcula se: 
Aos pais ama-se com fervor. 
"Evita-se, assim, muitas vezes, a confuso de ser atribudo ao verbo 
um valor reflexivo, em vez do seu verdadeiro valor. Com efeito, uma 
frase como 

Amam-se os pais com fervor 

significaria,  primeira vista, quando no esclarecida pelas precedentes ou seguintes, que:
 
Os pais se amam um ao outro 
e no que: 
Os filhos os amam 
ou 
Eles so amados pelos filhos". * 

* 3. Matoso Cmara Jr., Elementos da lngua ptria, 3a srie, Rio de Janeiro F. Briguiet, 1938, p. 175. 
244 
"Cuando la sentencia < a 3 pessoa do singular com se > toma ei carcter de impersonai, se coloca ei verbo en ei singular, y lo que es objeto de su accin va regido 
de la preposicin , verbi gratia: se atropeila  los desvalidos; se detesta  los malvados. " * 

Diz-se, pois, corretamente: 
Louva-se aos deuses. 
Adora-se aos dolos. 

 FACULTATIVO o emprego da preposio: 
1) Com pronomes referentes a pessoas (ningum, algum, todos, outro, etc): 
"Diz Cristo universalmente, sem excluir a ningum, que ningum 
pode servir a dois Senhores..." (VIEIRA) 
"juro pela f, que devo a Balduno meu predecessor, que vos hei de cozer vivo, em uma caldeira, como ele cozeu a outro, que roubou a viva pobre." (BERNARDES) 
"A todos encanta 
Tua parvoce..." (CAMES) 

A mesma arbitrariedade se nota com os pronomes de tratamento (V. Ex, V. S, etc.): 
"(...) colocaram a V. Ex na desgraada situao de desmentir 
na sua carta a narrativa dos Atos dos Apstolos." (HERCULANO) 
"Eu j tive a honra de cumprimentar a V. S..." (CAMILO) 

2) Com nomes prprios ou comuns - para evitar a ambigidade, ou por fatores Outros (no bem caracterizados) que se condicionam 
ao sentimento de certas pocas ou de certos escritores. 
a) por necessidade de clareza: 
"Dai-me igual canto aos feitos da famosa 
Gente vossa, que a Marte tanto ajuda..." (CAMES) 
"A me ao prprio filho no conhea." (CAMES) 
"Vence o mal ao remdio." (ANTNIO FERREIRA) 
"De alguns animais de menos fora e indstria se conta que vo seguindo aos lees na caa; para se sustentarem do que a eles 
sobeja." (VIEIRA) 

* Salv, Grammatica, apud M Said Ali, Dificuldades da lngua portuguesa, 5 a ed., Rio de Janeiro, Acadmica, 1957, p. 98. 
245 
- - - . . - . - - . 
 
"Tal havia que ao meu consertador julgava digno de um hbito 
de Cristo." (FRANCISCO MANUEL DE MELO) 
"Rasteira grama exposta ao sol,  chuva, L murcha e pende: 
Somente ao tronco que devassa os ares 
O raio ofende!" (GONALVES DIAS) 

b) por fatores no bem caracterizados: 

"Benza Deus aos teus cordeiros." (RODRIGUES LOBO) 
"(...) o verdadeiro conselho  calar, e imitar a santo Antnio 
(VIEIRA) 
"No culpo ao homem; para ele, a cousa mais importante do momento era o filho." (MACHADO DE ASSIS) 
"Apenas excetuo exguo nmero, e pode ser que, unicamente a Pricles, teu tutor; porque tem cursado os filsofos." (Rui BARBOSA)) 

3) Com o pronome quem, sem antecedente: 
"No me tenha amor ningum 
Para obrigar meu querer. 
Que aborreo a quem me quer." (RODRIGUES LOBO) 
"Nos brutos para doutrina dos homens parece que imprimiu 
Autor da Natureza particular instinto de amarem a quem os ama 
(BERNARDIS) 

4) Com nomes antecedidos de partcula comparativa (como, qi do que): 
"E o que h poucos meses a teus ps e de joelhos, este pot velho, que te ama como afilho, te pediu em nome de Deus: perdi perdo!" (HERCULANO) 
"Isto causou estranheza e cuidados ao amorvel Sarmento, q prezava Calisto como a filho." (CAMILO) 
"Mas nada me entusiasma. 
Olho-te como a um fantasma." (ALBERTO DE OLIVEIRA) 
"Acusam-no de haver beneficiado mais a sua famlia que ao povo romano." (CAMILO) 
"Eu antes o queria que ao doutor..." (CAMILO) 
246 

"Tal  a construo" - anota Mrio Barreto - "pontualmente observada pelos nossos escritores-modelos. Valem-se de como para o referir ao nominativo, e do-lhe a 
partcula a se o referem a dativo ou acusativo." (Nov(ssimos, 84; cf., tambm, Fatos, 184-185). 

No perigando a clareza, pode ir o complemento com preposio 
ou sem ela. No seguinte trecho de Camilo, dispensou-se o a depois 
do segundo como por no haver nenhum risco de anfibologia: 
- Maridos dignos so unicamente aqueles que afagam como a filhas as mulheres; so aqueles que as mulheres estremecem 
como pais..." 

Ou no ter Camilo, que possua como poucos o sentimento da lngua, buscado a uma leve matizao de sentido, ao pr em contraste 
as duas construes? 
Com efeito, houve quem estabelecesse sutil diferena entre frases dos tipos "tratavam-no como pai" e "tratavam-no como a pai". Na primeira, pai figuraria  guisa 
de um predicado, um modo de ser atribudo a o (no); assim se diria de alguma pessoa a quem se olhasse como se fora pai, sem que de fato o fosse. Na segunda, ao contrrio, 
pai denotaria um 'ente' com todas as qualidades de pai.* 
Os seguintes exemplos parece confirmarem a observao: 
"(...) e ns habituamo-nos a t-la em conta de segunda me: tambm ela nos amava como filhos." (HERCULANO) 
"No ando gente estes dias; porm nem por isso deixam os desgostos de me tratar muito como agente." (FRANCISCO MANUEL  DE MELO) 

5) Quando o objeto direto precede o verbo: 
"aos ministros todos os adoram, mas ningum os cr." 
(FRANCISCO MANUEL DE MELO) 
"No faais caso disso, que a relgios do cho ningum os escuta..." (FRANCISCO MANUEL DE MELO) 
"(...) enfim, ainda ao pobre defunto o no comeu a terra, e j 
o tem comido toda a terra." (VIEIRA) 

6) Quando a preposio se apresenta com valor de um verdadeiro partitivo: 

* A observao, que tem mais de um sculo,  de Andrs Belio-Rufino J. Cuervo, (Granmtica de la lengua casteliana, Buenos Aires, Sopena Argentina, 1945, p. 373), 
aceita e desenvolvida por Cuervo (Diccionario de construccion rgimen de la lengua casteilana, tomo 1, A-B, Paris, 1886, via, p. 13). 
247 

"Ouvirs dos contos, comers do leite e partirs quando quiseres." (RODRIGUES LOBO) 
"Do pano mais velho usava, 
Do po mais velho comia." (CECLIA MEIRELES) 

7) Em certas construes idiomticas: 
cumprir o dever, ou cumprir com o dever; 
puxar a faca, ou puxar da faca. 
"Arrancam das espadas de ao fino 
Os que por bom tal feito ali apregoam." (CAMES) 

Objeto Direto Interno 
Verbos intransitivos podem trazer complemento representado por 
substantivo do mesmo radical, contanto que este venha acompanhado 
de adjunto: 
morrer morte gloriosa 
danar danas malditas 
sonhar sonhos ruins 
"... morrers morte vil da mo de um forte." (GONALVES DIA 
Igualmente ocorre em outras lnguas: 
Beatam vitam vivere (latim) 
Viver uma vida feliz 
Morir una santa muerte (espanhol) 
Morrer morte santa 
Estes complementos se chamam objetos diretos internos e, 
s vezes, so expressos por palavras que, no sendo co-radicais d 
verbos respectivos, pertencem, todavia, ao mesmo grupo de idia 
Dormir um sono tranqilo. 
Chorar lgrimas de sangue. 

OBJETO INDIRETO 
O objeto indireto representa o SER ANIMADO* a que se dirige ou destina a ao ou estado que o processo verbal expressa. 


* Quando substantivos referentes a coisas' (lato sensu) se usam como objeto:  direto, devem considerar-se - ensina Hayward Keniston - como se fossem capa de receber 
tratamento igual ao de pessoas (cf. 77w syntax of castilian prose: the s teenth century, Chicago, Umversity of Chicago, 1937, p. 8). Antonio Tovar, G, mtica histrica 
latina: sintaxis, Madri, Espasa-Calpe, 1946, p. 45. 
248 

Complemento da orao 
O objeto indireto pode figurar em qualquer tipo de predicado (verbal, nominal, verbo-nominal), perfilando-se, at, ao lado de verbos intransitivos e de verbos na 
voz passiva. Situa-se, portanto, menos comum complemento do verbo (de cujo regime, na maioria das vezes, independe) do que como um complemento da orao -, da qual 
, alis, facilmente dispensvel em muitas situaes. 
Morfologicamente, caracteriza-se por vir encabeado pela preposio 
a (s vezes, para) e corresponder, na terceira pessoa, s formas pronominais tonas lhe, lhes. 
Sintaticamente, desaceita - slvo excees rarssimas - passagem para a funo de sujeito na voz passiva. E por implicar o trao + PESSOA,no lhe  possvel, evidentemente, 
apresentar-se sob a forma de orao subordinada. (Ver p. 263) 
Eis os esquemas de construo em que se integra (ou pode integrar-se) esse termo oracional: 
1) Dar esmola a um mendigo. (Dar-lhe esmola) 
Escrever a um amigo. (Escrever-lhe) 
Mandei flores para a noiva. (Mandei-lhe flores) 
2) Beijar o anel ao cardeal. (Beijar-lhe o anel) 
3) Ter respeito aos mais velhos. (Ter-lhes respeito) 
Slvia servia de olhos ao marido. (Servia-lhe de olhos) 
Madre Calcut foi me a muitos desgraados. (Foi-lhes me) 
Ouvi essa histria aos meus avs. (Ouvi-lhes essa histria) 
4) O ancio fez saber aos herdeiros a sua ltima vontade. (Fez-lhes saber) 
5) A prova pareceu difcil aos estudantes. (Pareceu-lhes difcil)
 Di a um pai a ingratido dos filhos. (Di-lhe a ingratido...) 
6) Obedecer aos superiores. (Obedecer-lhes) 
Querer s crianas. (Querer-lhes) 
7) O documento foi entregue ao ministro por mim. (Foi-lhe entregue) 

So estes os casos incontroversos de objeto indireto: 
1) Serve de complemento a verbos acompanhados de objeto direto, representando o elemento onde termina a ao.  o caso comum dos chamados verbos bitransitivos, como 
dar, oferecer, entregar, doar, dedicar, negar, recusar, dizer, perguntar, contar, narrar, pedir, rogar, pagar, dever, etc. Em suma: os verbos 'dandi', 'dicendi', 
'rogandi', seus correlatos e reversos. 
249 
Exemplo: 
"Iracema, depois que ofereceu aos chefes o licor de Tup,  do bosque." (JOS DE ALENCAR) 

2) Junta-se  unidade formada de verbo + objeto direto, indica o possuidor de alguma coisa. 
Exemplos: 
"(...) mandou cortar a cabea a Adonias." (VIEIRA) 
"Ouo um grito: o Dr. Soero acabou de extrair um dente a 
senhora." (ANBAL A. MACHADO) 
"Beijou a mo a el-rei e saiu." (HERCULANO) 

3) Acompanha certos conglomerados constitudos de verbo + objeto direto, dos quais depende o indireto. 
Tais conglomerados, que em latim regiam dativo, equivalem muitas 
vezes a verbos simples: 
ter medo a (= temer), ter amor a (= amar), fazer guerra 
(= guerrear), pr freio a (= refrear), etc. 
Exemplo: 
"No tenho medo ao tormento." (CAMES) 

Ainda se podem incluir neste grupo conglomerados do tipo dos 
seguintes: 
servir + (lhe) + de + predicativo; 
ser + (lhe) + predicativo; 
ouvir algo a algum; 
merecer algo a algum. 
Exemplos: 
"(...) servi de olhos a um cego." (FREI Lus DE SOUSA) 
"s me, conforto, providncia, filha 
ao velho mrtir que no tem ventura." (TOMS RIBEIRO) 
"os cantares que ouvira aos bisavs incultos 
torne-os a ouvir de ns..." (CASTILHO) 

4) Figura num tipo especial de construo, na qual os verbos faz, deixar, mandar, ouvir e ver se combinam a infinitivo acompanhado de objeto direto, ou a verbo de 
ligao seguido de predicativo.* 
* Trata-se da controvertida estrutura faire faire quelque chose  qualqu 'wz', cuja exegese se tm afadigado muitos mestres da filologia romnica. 
Notcia das vrias teorias existentes em torno dessa construo pode ter-se nas seguintes fontes: Romania, n 42, 1913, p. 629; EstMdos de iing(s:ica romnica na 
A Europa e na Amrica desde 1939 a 1948 (suplemento bibliogrfico da Revista portuguesa de filologia, Coimbra, 1951, p. 24); Juan Bastardas Parera, Particularidades 
si,Ucti dei latn medieval, Barcelona, 1953, p. 173. 
250 

Exemplos: 
"Este a mais nobres faz fazer vilezas..." (CAMES) 
"Assim  (disse Solino) que at culos, que se inventaram para remediar defeitos da natureza, vi eu j trazer a alguns por galantarja." (RODRIGUES LOBO) 
"Trs cousas acho que fazem 
ao doudo ser sandeu..." (GIL VICENTE) 

5) Liga-se a verbos intransitivos unipessoais, designando a pessoa em quem se manifesta a ao. 
Exemplos: 
"Pareceu a el-rei e aos seus que lhes acudia o Cu com socorro." (FREI Lus DE SOUSA) 
"Capitu props met-lo em um colgio, donde s viesse aos sbados; custou muito ao menino aceitar esta situao." (MACHADO DE ASSIS) 

6) Une-se a alguns verbos pessoais (de regncias variadas), quando empregados em determinado sentido. Esto no caso, por exemplo: 
querer (com o sentido de amar, estimar) 
valer (com o sentido de socorrer). 
Ainda outros h cuja regncia tem variado atravs dos sculos, como obedecer, resistir e agradar, que hoje s se empregam com objeto indireto, mas possuam dupla 
sintaxe (obedecer-lhe e obedec-lo, resistir- lhe e resisti-lo, agradar-lhe e agrad-lo) na linguagem dos sculos XVI e XVII. 

Nota: 
Verbos como gostar de, depender de, precisar de, carecer de, lembrar-se de, fugir de, consentir em, assistir a (uma festa), proceder a, etc., no tm objeto indireto. 
O complemento deles, que ser estudado a seguir, se filia ora no ablativo, ora no genitivo, e se denomina complemento relativo. 

COMPLEMENTO RELATIVO 
Complemento relativo*  o complemento que, ligado ao verbo por 
uma preposio determinada (a, com, de, em, etc.), integra, com o 
valor de objeto direto, a predicao de um verbo de significao relativa. 


*A denominao 'complemento relativo' inspira-se na generalizao do conceito de rgime relatif, proposto por Meyer Lbke para regncias fronteirias dessa nossa. 
(Gramrnaire des langues romanes, traduo francesa, 2a ed., 3 vols., Viena, Stechert, 1923, vol. 3, p. 349. 
251 

Distingue-se nitidamente do objeto indireto pelas seguintes circunstncias: 
a) No representa a pessoa ou coisa a que se destina a ao, ou cujo proveito ou prejuzo ela se realiza. Antes denota, como o objeto
direto, o ser sobre o qual recai a ao. 
b) No corresponde, na 3 pessoa, s formas pronominais tonas lhe, lhes, mas s formas tnicas ele, ela, eles, elas, precedidas de 
posio: 
assistir a um baile - assistir a ele 
depender de despacho - depender dele 
precisar de conselhos - precisar deles 
anuir a uma proposta - anuir a ela 
gostar de uvas - gostar delas 
reparar nos outros - reparar neles. 

COMPLEMENTO CIRCUNSTANCIAL 
 um complemento de natureza adverbial - to indispensvel  construo do verbo quanto, em outros casos, os demais complementos 
verbais. 
Se compararmos frases como: 
Irei a Roma e Jantarei em Roma -, 
verificaremos que, na segunda, o liame entre a preposio e o substantivo se nos mostra muito mais ntimo do que na primeira, ou pelo contrrio, a preposio como 
que forma bloco com o verbo. * Temos, a, com efeito, dois sintagmas: 
Irei a  Roma e Jantarei  em Roma 

Por seu valor de verbo de direo, ir exige, por assim dizer, a  
preposio a para lig-lo ao termo locativo. 
Outros exemplos: 
Morar em Paquet. 
Estar  janela. 
Ter algum ao colo. 

* Cf. C. de Boer, Syntaxe dufranais moderne, 2 ed., Leiden, Universitaire p Leiden, 1954, p. 31. 
252 

Este complemento pode construir-se, tambm, sem preposio: 
A guerra durou cem anos. 
Distar muitos quilmetros. 

 expresso: 
a) Por um nome regido das preposies a ou para, indicativas de direo: 
Ir a Roma. 

Nota: 
E o acusativo de direo do latim: Romam proficisci (ir a Roma); Lesbum se conferre (trasladar-se para Lesbos). 

b) Por um nome sem preposio, ou com ela, que exprima tempo, ocasio: 
Viver muitos anos. 
Trabalhar toda a vida. 
"E o meu suplcio durar por meses." (HERCULANO)  

E o acusativo de tempo do latim: Triginta annos vixit (viveu trinta anos). 

c) Por um nome sem preposio, que indique peso; preo; distncia no espao e no tempo: 
Pesar dois quilos. 
Valer uma fortuna. 
Custar mil cruzeiros. 
Recuar trs lguas. 
Envelhecer vinte anos. 

Nota: 
Este ltimo  o acusativo de espao do latim: Ager latus pedes trecentos (um campo  com a largura de 300 ps; ou com 300 ps de largura). 

3. AGENTE DA PASSIVA 
 o complemento que, na voz passiva com auxiliar (tambm chamada voz passiva analtica), representa o ser que praticou a ao verbal. 
Exemplo: 
Nossa casa foi construda por este engenheiro. 

Sendo este complemento o verdadeiro agente, ou seja, aquele que 
exerce a ao, podemos transformar a construo passiva em ativa, 
e, neste caso, ele figurar como sujeito: 
Este engenheiro construiu nossa casa. 
253 

O agente pode declinar de importncia a ponto de ser omitido: 
Nossa casa foi construda h muitos anos. 
(Por quem? No sei, ou no interessa dizer.) 

Introduz-se o agente da passiva pela preposio por e, s vezes, de: 
Os cartagineses foram vencidos pelos romanos. Nosso chefe era muito estimado de superiores e subalternos. "O quarto foi invadido de gente, reprteres, fotgrafos." 
(FERNANDO SABINO) 

TERMOS ACESSRIOS DA ORAO 
Alm dos termos integrantes que acabamos de estudar, podem figurar na orao outros elementos, tais como: 
Adjunto adnominal 
Aposto 
Adjunto adverbial 

1. ADJUNTO ADNOMINAL 
Ao ncleo substantivo, qualquer que seja a funo deste, pode 
juntar-se um  termo de VALOR ADJETIVO, para acrescentar-lhe um dado 
novo  significao. 
O adjunto adnominal  expresso por: 
a) Adjetivo: 
Lar feliz. 
Verdes mares bravios. 

b) Locuo adjetiva: 
Cavalo de raa. 
Rosa sem espinhos. 

c) Artigo (definido, ou indefinido): 
O professor. 
Um professor. 

d) Pronome adjetivo, ou numeral adjetivo: 
Minhas filhas. Aquele dicionrio. Algumas palavras. Pessoas cujos exemplos devemos seguir. Que profisso desejas abraar? Dois irmos. Terceiro lugar. 
254 

A um s e mesmo ncleo substantivo  lcito subordinar, ao mesmo tempo, adjuntos adnominais em formas variadas. 
Exemplos: 
Viva rica e sem filhos. 
Meu bom amigo de iinfncia. 
Um varo piedoso e de invulgar saber. 

2. APOSTO 
Um substantivo (ou pronome) pode-se fazer acompanhar imediatamente de outro termo de carter nominal, a ttulo de individualizao 
ou esclarecimento. 
Exemplos: 
Durante sete anos, Jac serviu Labo, pai de Raquel.
 Hermes Fontes, grande poeta brasileiro, estreou com um formoso livro: Apoteoses. 
Eu, Brs Cubas, escrevi este romance com a pena da galhofa e a tinta da melancolia. 
 importante acentuar que o substantivo fundamental e o aposto que 
se lhe junta designam sempre o mesmo ser. 
Geralmente, entre um e outro desses termos h ligeira pausa, assinalada na escrita por vrgula. 
Mas h um tipo de aposto em que no se usa vrgula: aquele com 
o qual se d a denominao do ser, individualizando-o dentro do seu gnero. 
Exemplo: 
O padre Anchieta foi o primeiro professor do Brasil.* 
Do mesmo modo: 
O poeta Olavo Bilac... O romance Dom Casmurro... 
O marechal Rondon... A lagoa Rodrigo de Freitas... 
O maestro Carlos Gomes... O rio Tejo... 

* A Grammaire Larousse du XX sicle (Paris, Larousse, 1950, p. 71) e Maurice Grevisse, Le bom usage (7 cd., Paris, Gernbloux, J. Duculot/Paul Geuthner, 1959, 
p. 153), ensinam que, em construes que tais, o aposto vem antecipado. De tal sorte que, em matre C'orbeau, te marchal Foch, te philosophe Platon, os substantivos 
apostos seriam, respectivamente, mattre, marchal e philosophe. 
No entendemos assim; todavia, af fica a informao. 
255 

Neste ltimo caso, pode o aposto prender-se ao fundamental pela preposio de: * 
A cidade de Londres... O nome de Maria... 
A serra da Mantiqueira... O ms de maro... 
Tambm especialmente digno de nota  o aposto de que nos 
servimos para fazer uma enumerao. Assim: 
O imprio romano possua numerosas provncias: Hispnia, lia, Itlia, Dcia, etc. 
Vrias lnguas francs, italiano, alemo e rtico - se fala na Sua. 
Eis trs mulheres bblicas: Sara, Rebeca e Lia. 
Neste ltimo exemplo, os apostos Sara, Rebeca e Lia representam 
como que desdobramentos do ncleo - mulheres. 
Entre o fundamental e o aposto aparece, s vezes, uma das locues 
explicativas isto , a saber, por exemplo, e outras de igual teor: 
Perderam todos os bens, a saber: dois apartamentos, uma fazenda 
e um automvel. 
Casos h em que o aposto, expresso por um dos pronomes indefinidos tudo, nada, algo, algum, ningum, outrem, quem? ou, ainda, 
 por o mais, o restante, etc. sintetiza vrios substantivos ou pronomes fundamentais: 
As cidades, os campos, os vales, os montes, tudo era mar.
 Os colegas de trabalho, os velhos amigos de infncia e at parentes mais chegados, ningum lhe trouxe uma palavra de conforto. 
Filhos, netos, bisnetos, quem o socorrer na velhice? 
Sobrevivente do naufrgio, ele conseguiu salvar algum dinheiro porm jias, roupas, documentos, o mais submergiu com o navio. 
Observao: 
Se a ordem dos termos da orao fosse esta: '.. porm o mais - jias, roupas, documentos - submergiu com o navio. '-, os trs substantivos passariam a funcionar 
como apostos a 'o mais' que, ento, seria o sujeito. O mesmo cabe dizer a respeito dos outros exemplos acima citados. 
* Repare-se em que, na construo 'A cidade de Londres', os dois termos (cidade e Londres) se identificam, pois que ambos designam o mesmo ser. No se confunda portanto, 
com estruturas do tipo de 'A neblina de Londres', 'A populao de Londres', etc., em que de Londres tem valor adjetivo, funcionando como adjunto adnominal. 
256 

Mencione-se, por fim,* aquele tipo de aposto que se refere ao sentido global de uma orao: 
Suas palavras foram muito injustas, fato que me desgostou  profundamente. 
Os alunos estavam reunidos no ptio, o que facilitou a chamada. 

3. ADJUNTO ADVERBIAL 
 o termo que acompanha o verbo, exprimindo as particularidades 
que cercam ou precisam o fato por este indicado. 
 expresso: 
a) Por um advrbio: 
Visito-o diariamente. 
Cometeu o crime premeditadamente. 
O navio passou longe. 
Dar-lhe-ei o livro amanh. 
Outrora, ramos felizes. 

b) Por uma expresso adverbial: 
Partiremos de madrugada. 
Lerei seu romance na prxima semana. 

A classificao do adjunto adverbial, mormente quando constitudo por expresso adverbial (preposio + substantivo), nem sempre se alcana fazer com facilidade. 
E isto porque ela depende das relaes, muita vez sutis, estabelecidas pela preposio introdutria. 
Como sabemos, uma s preposio pode estabelecer diferentes relaes, como  o caso, por exemplo, da preposio de (o que concorre 
para dificultar a interpretao): 

* Minuciosa classificao dos vrios tipos de aposto pode ler-se em Jos Oiticica, ob. cit., p. 241. 
Sobre casos como Colgio Pedro II, Teatro Carlos Gomes, rua Gonalves Dias, etc., que outrora se diziam, vernaculamente, Colgio de Pedro II, Teatro de Carlos Gomes, 
rua de Gonalves Dias, tendo havido, portanto, mudana de construo, consulte-se especialmente a Mrio Barreto, De gramtica e de linguagem, 2 vols., Rio de Janeiro, 
O Norte, 1922, vol. 2, pp. 180 e 221. Acreditamos que para essa evoluo tenha concorrido mais a analogia (confuso de construes) do que a costumeiramente alegada 
influncia francesa. 
257

 Assunto: Falar da vida alheia. 
Causa: Morreu de sede. 
Meio: Vive do trabalho. 
Modo: Olhou-me de esguelha. 

Eis outros exemplos de adjuntos adverbiais, encabeados por variadas preposies, ou locues prepositivas: 
Assunto: O conferencista dissertou sobre febre amarela.
Conversamos a respeito de literatura. 
Causa: O sertanejo ficara arruinado com a seca.
Desistiu do concurso, por molstia. 
Companhia: Saiu com amigos. 
Concesso: Apesar do mau tempo, o avio levantou vo. 
Concomitncia: Acordei ao estampido da exploso. 
Condio: Ningum cruzar a fronteira, sem passaporte. 
Conformidade: Deus criou o homem  sua imagem e semelhana. 
Favor: Morrer pela ptria (em favor de, em prol de, em benefcio de, etc.) 
Fim: Pararam todos  escuta.
O sino tocava  missa. 
Instrumento: Quebravam a pedreira a picareta.
Escreveu-me rapidamente, a lpis. 
Meio: Sempre fora amigo de viajar a cavalo.
No fim da vida, morava e comia de esmola. 
Modo: Costumava falar a altas vozes.
Cuidado para no pisar em falso. 
Oposio: Bater-se com o adversrio.
Remava contra a mar.
Esta sentena foi lavrada ao arrepio da lei. 
Preo: Passava os dias vendendo jornais velhos, a vintm. 
Quantidade: Escreveu versos aos milhares. 
Tempo: O frade jejuava s segundas e quintas-feiras.
A velhinha chorou desesperadamente  partida do navio.
Houve um silncio  constrangedor: ningum ousou falar por alguns minutos. 

Apreciemos  parte a circunstncia adverbial de lugar (uma das mais 
freqentes), por oferecer subclassificaes de que convm tomar conhecimento: 
Lugar onde: 
Sempre trabalhou em So Paulo.
Onde ests morando? 
Lugar aonde:
 Escolha a cidade a que deseja ir.
Aonde vais, com  tanta pressa? 
Lugar por onde:
 Esta  a selva atravs da qual alcanaremos o rio. 
Lugar para onde:
 Mudar-nos-emos para Braslia. 
Lugar donde:
Partimos de Lisboa num sbado,  noite. 
258 

VOCATIVO 
 um termo de natureza exclamativa, empregado quando chamamos por algum, ou dirigimos a fala a pessoa ou ente personificado. 
No pertence propriamente  estrutura da frase, devendo ser considerado  parte. 
Exemplos: 
"Senhor! Porque nos deste uma lngua to pobre na gratido?" 
(RUI BARBOSA) 
"Eh! tia Maria... 014, rapariga!" (EA DE QUEIRS) 
" seu Pilar! - bradou o mestre com voz de trovo." 
(MACHADO DE Assis) 
O vocativo pode ser precedido de algumas interjeies (eh! ol, ol.'), especialmente , bem aberto, como no ltimo dos exemplos citados. 

Observao: 
Na fala corrente do Rio de Janeiro, esta interjeio se pronuncia freqentemente 
//, embora se escreva . 
Em regra,  o vocativo separado por vrgula (quando vem no incio 
ou no fim da frase), ou figura entre vrgulas (quando intercalado). 
Filho meu, onde ests? 
E agora, Jos? 
Fuja, fidalgo, que me perco!... Fuja que o mato e me perco! 

Observao: 
Desse ltimo aspecto  a palavra senhor que normalmente se segue a uma afirmao ou negao. Exs.: Vou, sim, senhor! - No, senhor! A vrgula que se coloca neste 
caso para frisar melhor o vocativo no corresponde a uma pausa propriamente dita na fala, pois enuncia-se a palavra senhor sem soluo de continuidade com as partculas 
sim ou no". * 

CONSTITUIO DO PERODO 
Pertodo  a frase formada de duas ou mais oraes. 
De acordo com o modo como se dispem e relacionam nele, apresenta o perodo duas estruturas tpicas: 
- Coordenao 
- Subordinao 
* Rocha Lima e J. Matoso Cmara Jr., Curso da lngua ptria, 6a ed., 4 vols., Rio de Janeiro, F. Briguiet, 1959, vol. 2 (Gramtica, l e 2 sries ginasiais), p. 10. 
259 

COORDENAO 
A comunicao de um pensamento em sua integridade, pela sucesso de oraes gramaticalmente independentes - eis o que constitui 
o perodo composto por coordenao. 

Exemplo: 
As senhoras casadas eram bonitas; porm Sofia primava entre 
todas. 

Se eu quisesse transmitir a algum este meu juzo, e lhe dissesse 
apenas: 
As senhoras casadas eram bonitas -, 
ou to-somente: 
Sofia primava entre todas. -, 
no teria, decerto, comunicado o que pretendia: minha declarao, num 
caso e noutro, estaria truncada, ou incompleta. 
 que, para transmitir aquele pensamento, necessito das duas oraes 
em conjunto - no obstante poder cada qual delas existir por si s. 
Outro exemplo: 

Cheguei, vi, venci. 

Neste perodo, as oraes se sucedem naturalmente, apenas realadas 
na pronncia por leve pausa, que se marcou pelo sinal grfico vrgula. 
Poderia, porm, haver entre elas, principalmente entre as duas ltimas, uma conjuno coordenativa. 
Quando no h esta partcula, a coordenao diz-se ASSINDTICA; 
em caso contrrio, SINDTICA. 
As oraes coordenadas sindticas recebem o nome das conjunes 
que as iniciam, classificando-se, portanto, em: aditivas, adversativas,  alternativas, conclusivas, explicativas. 

ORDEM DAS ORAES COORDENADAS 
Conquanto tenham o mesmo valor sinttico, nem sempre  indiferente a ordem das oraes no perodo composto por coordenao. Elas 
se ho de dispor conforme o sentido e a sucesso lgica dos fatos. 
260 

Por isso,  orao que vem em primeiro lugar - ponto de partida do pensamento-,  costume chamar coordenada culminante. 
Atentemos para esta observao de Joo Ribeiro, um dos mais inteligentes dos nossos gramticos: 

Deus fez a luz, depois criou a natureza; e finalmente formou o homem. 
- Entrou em combate, lutou heroicamente e morreu. 

A idia obriga a colocao em circunstncias como estas, de sorte que seria impossvel dizer: morreu, entrou em combate e lutou heroicamente. No menos absurdo seria 
inverter a ordem do primeiro exemplo, dizendo: Deus finalmente formou o homem, depois criou a natureza, etc. Assim, todas as vezes que os fatos tm ordem histrica, 
a narrao deve tambm seguir em lugares sucessivos os momentos sucessivos do tempo. 
A concluso de uma premissa deve ir tambm em ltimo lugar. Penso; logo, existo -  a frase que no se pode inverter. 
A inverso tem, todavia, lugar, quando, sem ofensa da ordem verdica e histrica dos fatos, a coordenao  feita por conjunes disjuntivas (alternativas): 

Quer venha, quer no venha... 
Quer no venha, quer venha... 

Neste caso existe excluso de um dos dois fatos, e a ordem histrica no sofre injria alguma."* 
Para dar mais vigor  coordenao, valemo-nos de uma frmula correlativa (no s... mas tambm; no s... mas ainda; no s... seno  tambm; no s... seno que): 
No s o roubaram, mas tambm o feriram. 
No s trabalha de dia, seno que estuda  noite. 

SUBORDINAO 
No perodo composto por subordinao, h uma orao principal, que traz presa a si, como dependente, outra ou outras. Dependentes, 
porque cada uma tem seu papel como um dos termos da orao principal. 


* Joo Ribeiro, Gramtica portuguesa, curso superior, 15a ed., Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1909, pp. 227-8. 
261 

As diferentes funes sintticas so exercidas pelo substantivo, pelo adjetivo e pelo advrbio, conforme a seguinte distribuio: 

1) Funes desempenhadas pelo substantivo (e pelo pronome): 
sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento relativo,
 conplemento nominal, aposto, e, s vezes, predicativo. 

2) Funes desempenhadas pelo adjetivo: 
adjunto adnominal e predicativo. 

3) Funo desempenhada pelo advrbio: 
adjunto adverbial. 

Se as oraes subordinadas representam desdobramentos dos vrios termos da orao principal,  evidente que figuraro ora com funes prprias do substantivo, ora 
com funes prprias do adjetivo, ora com funes prprias do advrbio. 
Classificam-se as oraes subordinadas consoante dois critrios conjugados: 
A) Quanto  funo que desempenham na orao principal: 
SUBSTANTIVAS. 
ADJETIVAS. 
ADVERBIAIS. 

B) Quanto  forma e ao modo como se articulam com a orao principal: 
DESENVOLVIDAS. 
REDUZIDAS. 
JUSTAPOSTAS. 

1) As oraes desenvolvidas (Ou, noutra nomenclatura - explcitas trazem o verbo em forma finita e so encabeadas por conjuno, pronome relativo, ou, no caso da 
interrogao indireta, por pronome ou advrbio interrogativos. 

2) As oraes reduzidas (ou, noutra terminologia - implcitas) tn o verbo numa das formas infinitas ou nominais: o infinitivo, o gerndio, ou o particpio. 

3) As oraes justapostas, sem prejuzo da 'funo' que desempenhem na principal, aditam-se a esta sem a mediao de conectivo tm 'forma' de orao independente 
- isto , esto isentas de servido gramatical. 

Mediante processo puramente sinttico no influenciado por valores 
262 

estilsticos,  possvel, de maneira geral, converter oraes de forma desenvolvida em oraes de forma reduzida (e vice-versa) - bem como pr-lhes lado a lado os 
termos no-oracionais correspondentes. 
Assim, a funo, por exemplo, de adjunto adverbial de tempo pode 
expressar-se: 
a) Por termo no-oracional (advrbio, ou locuo adverbial): 
Durante o vero, as cigarras ficam zonzas de alegria. 

b) Por orao subordinada de forma desenvolvida: 
Quando chega o vero... 

c) Por orao subordinada de forma reduzida: 
Ao chegar o vero... (com o infinitivo). 
Chegando o vero... (com o gerndio). 
Chegado o vero... (com o particpio). 

Nem sempre, porm, encontramos tal riqueza de equivalncia sinttica: o objeto indireto, por exemplo, por sua natureza mesma, no se apresenta seno sob forma no-oracional 
(substantivo precedido de a ou para, ou pronome lhe); o adjunto adverbial de modo somente aparece sob a forma de advrbio, locuo adverbial, ou orao reduzida 
(de infinitivo, ou de gerndio): no reveste a forma de orao desenvolvida. 

Nem sempre (insistimos) equivalncias que seriam teoricamente vlidas afinam com a ndole da lngua; e, por isso, carentes de sabor 
idiomtico, nela no encontram quartel. 
Se, por um lado, podemos operar uma converso como esta: 
 certo / que o trem j partiu. (orao desenvolvida) 
 certo / j haver o trem partido. (orao reduzida) 

por Outro lado, somente se pode dizer assim: 
Coube-me / repartir os pes. 

Ser-nos-ia impossvel transformar a orao reduzida de infinitivo (repartir os pes) na orao desenvolvida que lhe corresponde teoricamente - o que nos levaria 
a perpetrar um dislate, repelido pela sintaxe portuguesa: 
'Coube-me / que eu repartisse os pes.' 

Tambm algumas oraes adverbiais (as de modo, meio e exceo) 
desaceitam a forma desenvolvida, construindo-se to-s como reduzidas: 
Os estudantes receberam-no / cantando hinos patriticos. (modo) 
Vivia / de guardar alheio gado. (meio) 
Nada fazia / exceto dormir. (exceo) 
263 

Isto posto, passemos a examinar os vrios tipos de orao subordinada: 
1. ORAES SUBSTANTIVAS 
Estas oraes valem por substantivos. 
Assim como, dentro da orao, o substantivo pode servir de sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento relativo, complemento nominal, aposto e predicativo 
- assim tambm, dentro do perodo, s oraes substantivas cabe desempenhar os mesmos ofcios. 
Classificam-se, portanto, quanto  funo, em: 
Subjetiva Completiva nominal 
Objetiva direta Apositiva 
Completiva relativa Predicativa 

O objeto indireto (j o dissemos) no se pode apresentar sob forma oracional. 

DESENVOLVIDAS 
Quanto  maneira de se articularem com a orao principal, 
distinguem-se dois grupos de oraes substantivas de forma desenvolvida: 
- As que so introduzidas pela conjuno integrante que. 
- As interrogativas indiretas, que comeam por pronome ou advrbio interrogativos, ou, ainda, pela partcula dubitativa se. 

a) A conjuno integrante, simples elo entre as oraes, no tem nenhum valor sinttico, ou significativo: vem assim  feio de mera partcula anunciadora de orao 
substantiva, podendo, at, em certos casos, ser omitida: 
Rogo a V. Ex. (que) no retarde a assinatura do convnio. 

As oraes substantivas encabeadas por conjuno integrante 
distribuem-se em: 
1) Subjetiva: 
"Parecia / que o morro se tinha distanciado muito." 
(GRACILIANO RAMOS) 
2) Objetiva direta: 
"Descobri ento / que o meu tamanho no era fixo..." (ANBAL 
M. MACHADO) 
264 
3) Completiva relativa: 
"Lembro-me / de que samos, de madrugada, de um restaurante..." (DINAH SILVEIRA DE QuEIRs) 
4) Completiva nominal: 
"(...) mas ficava-me a certeza / de que havia ali vrios trabalhos, feitos por muitos indivduos." (GRACILIANO RAMOS) 
5) Apositiva: 
"Um temor o perseguia: / que a velhice lhe enfraquecesse afibra de guerreiro." (ERIcO VERssIM0) 
6) Predicativa: 
"O terrvel  / que esta molstia destri a vontade..." (CYRO 
DOS ANJOS) 
Observao: 
Costuma haver certa vacilao no pronto reconhecimento das oraes substantivas 
subjetivas. Atente-se, pois, para os principais esquemas de construo em que elas 
figuram - observando-se particularmente os verbos da orao principal. 
"So os seguintes, quando em terceira pessoa e seguidos de que, ou se: 
a) De convenincia: convm, cumpre, importa, releva, urge, etc. 
b) De dvida: consta, corre, parece, etc. 
c) De ocorrncia: acontece, ocorre, sucede, etc. 
d) De efeito moral: agrada, apraz, admira, di, espanta, punge, satisfaz, etc. 
e) Na passiva: conta-se, sabe-se, dir-se-ia,  sabido, foi anunciado, ficou provado, etc. 
J) Nas expresses dos verbos ser, estar, ficar, com substantivo, ou adjetivo:  bom,  verdade, est patente, ficou claro, etc.' 
Exemplos: 
Convm / que no faltes a essa reunio. 
Sucedeu / que todos se retiraram ao mesmo tempo. 
Parece / que chover logo mais. 
Di-me / que o maltratem tanto. 
Conta-se / que ele j esteve preso. 
Est claro / que ningum acreditar nessa histria. 
No se sabe / se haver aula amanh. 
b) As interrogativas indiretas se anexam  orao principal por intermdio de um pronome ou advrbio interrogativo: que (= que coisa?), quem (= que pessoa?), qual? 
(quais), quanto? (quanta, quantos, quantas); onde?, quando?, como? e porque? 
Exemplos: 
No sei / que pensas a meu respeito. 
Perguntam / quem os acompanhar. 
Diga-me / onde se vende esse livro. 
Ainda no explicaste / porque abandonaste a carreira diplomtica. 
* Jos Oiticica, ob. cit., p. 241. 
265 
Observaes: 
a) A palavra quem, pronome interrogativo, equivalente a que pessoa, inicie uiaoes substantivas. Ao contrrio, enceta oraes adjetivas (como veremos adiante) quando 
for pronome relativo indefinido, isto , empregado sem antecedente, e com a significao de a pessoa que ou aquele que.* 
b) As oraes dubitativas' encetadas pela partcula se devem considerar-se, preferivelmente, como uma forma das interrogativas indiretas: 
Pergunto a mim mesmo / se vale a pena continuar. 
A pergunta direta seria: 
- Vale a pena continuar? 
Quase sempre a orao substantiva deste tipo exerce a funo de 
objeto direto - o que acontece com todos os exemplos citados. Analisa-se, portanto, como: subordinada substantiva objetiva direta. 
Neste papel, no  raro vir acompanhada de preposio - j que 
esta rege o pronome ou advrbio interrogativos, e no a orao substantiva: 
Ignoro / de quem so esses versos. 
No me informaram / de onde partiram os gritos. 
Cabe, tambm,  orao substantiva, na interrogao indireta, desempenhar o ofcio de sujeito, ou o de aposto: 
No se sabe / quem ser o novo ministro. (subordinada substantiva subjetiva) 
Perguntei-lhe o seguinte: quando pretendia aposentar-se. (subordinada substantiva apositiva) 
REDUZIDAS 
Somente em reduzidas de infinitivo podem transformar-se as oraes 
substantivas. 
Exemplos: 
1) Subjetiva: 
"No me agrada / lembrar o passado." (ANBAL M. MACHADO) 
2) Objetiva direta: 
"Pela minha parte, acredito 'no ter nunca transposto o limite das minhas quatro ou cinco primeiras impresses." (JoAQUIM 
NABUCO) 
* Consulte-se, a respeito, a seguinte bibliografia: Alfred Ernout-Franois Thomas, Svntaxe latine, Paris, Klincksieck, 1951, pp. 267 e 281; Antonio Tovar, Granztica 
histrica latina: sintaxis, Madri, Espasa-Calpe, 1946, pp. 191 e 228; Wartburg e Zumtlior, Pr cis de svntaxe dufranais contemporain, Paris, 1948, pp. 38-92; Giacinto 
Manuppela, A lngua italiana, 2 vols., Lisboa, Sociedade Progresso Industrial, 1953, vol. 1, p. 160; Alain Guillermou, Manuel de langue roumaine, Paris, Klincksieck, 
1953, p. 86; Pompeu Fabra, Grammaire catalane, Paris, Les Beiles Letres, 1946, p. 51; Maria Pereira de Sousa Lima, Gramtica portuguesa, 2 cd., Rio de Janeiro Jos 
Olympio, 1945, p. 315. 
266 
1 
3) Completiva relativa: - 
"Ele gostava / de se olhar nos espelhos." (ERIco VERSSIMO) 
4) Completiva nominal: 
"Tive vontade / de ir-me embora." (LIMA BARRETO) 
5) Apositiva: 
"S uma coisa Marina ainda achava superior ao trem: / ter dor 
de dente." (MRIO DE ANDRADE) 
6) Predicativa: 
"O melhor remdio (...) era / conversar." (AuTRAN DOURADO) 
H oraes substantivas de forma reduzida 'fixa' - isto , que no 
admitem converso em desenvolvidas. 
Exemplo: 
Resta-me / desistir de meu intento. (e no: que desista...) 
E-me penoso / falar sobre este assunto. (e no: que eu fale...) 
JUSTAPOSTAS 
Suas funes restringem-se a estas duas: 
1) Objetiva direta (no discurso direto): 
Aristteles costumava dizer aos seus amigos: "No h amigos.' 
Observao: 
A orao sublinhada desempenha afuno de objeto direto de 'dizer'; , pois, parte 
da orao principal. Ento, h de classificar-se como: subordinada substantiva objetiva 
direta. 
Quanto  forma, no se apresenta nem como desenvolvida, nem como reduzida 
- e, sim, como justaposta. 
Se transpusssemos este perodo para o discurso indireto, teramos uma orao 
igualmente subordinada substantiva objetiva direta - porm de forma desenvolvida: 
Aristteles costumava dizer aos seus amigos / que no havia amigos. 
Exemplificao literria: 
"Mas quando a terra diz: 'Ele no morre', 
Responde o desgraado: 'Eu izo vivi!...'" (CASTRO ALVES) 
Oraes subordinadas deste gnero podem colocar-se antes da principal, 
ou intercalar-se nela: * 
Este casamento  uma imprudncia, ponderou o velho. 
Este casamento - ponderou o velho -  uma imprudncia. 
* Sobre a natureza da orao intercalada em perodos assim, leia-se Boer, ob. cit., 
p. 25. Para ele, bem como para M. M. Le Bidois, trata-se de orao que tem carter 
nitidamente de principal. 
267 
Exemplificao literria: 
"'Voc costuma ler os jornais?' - perguntei-lhe." 
(CECLIA MEIRELES) 
"Pois ento, retorquiu o mineiro, deite-se um pouco [...]" 
(TAUNAY) 
2) Apositiva: 
Dei-lhe tudo: ofereci-lhe o meu nome; tornei-a dona de todL 
meu dinheiro; elevei-a  minha posio social. 
Neste exemplo, as oraes ofereci-lhe o meu nome, tornei-a do 
de todo o meu dinheiro e elevei-a  minha posio social so apost 
do pronome indefinido tudo, objeto direto da orao dei-lhe tudo. 
Com efeito, se tivssemos a frase: - Dei-lhe tudo: nome, dinhei, 
posio -, as palavras nome, dinheiro, posio seriam apostos de tu 
Tratando-se de oraes, persiste o valor apositivo. 
Temos a oraes, subordinadas substantivas apositivas - de forr 
justaposta. 
2. ORAES ADJETIVAS 
Estas oraes, que valem por adjetivos, funcionam como adjur adnominal. Na trama do perodo, subordinam-se, portanto, a qualqu termo da orao anterior cujo ncleo 
seja substantivo, ou equivaler de substantivo. 
Assim, no perodo: 
A gua  um lquido / que no tem cor. -, 
a orao que no tem cor est acrescentando ao substantivo 'gu na qualidade de adjunto adnominal oracional, a mesma idia que p deria ser expressa pelo adjetivo 
incolor. 
O emprego de oraes adjetivas permite que juntemos ao substa tivo caractersticas mais complexas, para as quais, muita vez, no ex. 
tem na lngua adjetivos lxicos. 
Vimos que, na frase acima citada,  orao que no tem cor cc responde, com justeza, o adjetivo incolor. Debalde, porm, procui ramos um adjetivo isolado, capaz 
de traduzir exatamente a idia glo contida na orao que no vosso espelho caiu, de um perodo como esi de Ribeiro Couto: 
"Dizei-me, guas mansas do rio, 
Para onde levais essa flor 
Que no vosso espelho caiu?" 
268 
As oraes adjetivas, quando desenvolvidas, so encetadas pelos pronomes relativos que, o qual (com suas flexes), quem, cujo (com suas flexes), quanto (com suas 
flexes); ou pelos advrbios relativos onde, quando e como - por intermdio dos quais se prendem a um subs- tantivo, ou pronome, da orao anterior. 
Tal substantivo, ou pronome, cuja significao o relativo reproduz, 
chama-se antecedente. 
Alm de servirem de ligao oracional, os relativos desempenham 
uma funo sinttica no corpo da orao a que pertencem. 
Examinemos este perodo de Rachel de Queiroz: 
"Era uma vez, j faz muito tempo, havia um homem / que era 
(Iteu." 
O sujeito da orao adjetiva 'que era ateu' est representado nela pelo pronome relativo que, cujo antecedente  - um homem. 
Cumpre assinalar que a funo sinttica do relativo nada tem que ver com a funo sinttica do seu antecedente. Embora o relativo, como sabemos, reproduza a significao 
do antecedente, o que importa  o papel que ele, relativo, exerce na orao em que figura. 
No perodo citado, esta verdade se nos mostra de maneira clarssima: na orao principal, o termo um homem serve de objeto direto a 'havia'; contudo, o pronome relativo 
(que, na orao adjetiva, est posto em lugar de um homem) funciona como sujeito de 'era'. 
DESENVOLVIDAS 
Eis alguns exemplos de oraes adjetivas desenvolvidas, apontadas 
as variadas funes dos pronomes relativos introdutrios: 
1) Sujeito: 
"Ele fitava a noite / que cobria o cais." (JORGE AMADO) 
(que: sujeito de cobria) 
"Sou tudo / quanto te convm." (MANUEL BANDEIRA) 
(quanto: sujeito de convm) 
2) Objeto direto: 
"As idias 1, que tanto amavas, /j no so tuas companheiras 
de toda hora?" (DRUMMOND) 
(que: objeto direto de amavas) 
"... trair, como eu, a pessoa / a quem amamos /  miservel 
fraqueza." (CYR0 DOS ANJOS) 
(a quem: objeto direto preposicional de amamos) 
269 
3) Objeto indireto: 
"Plidas crianas 
/ A quem Ilingum diz:! 
- Anjos, debandai!..." (MANUEL BANDEIRA) 
(a quem: objeto indireto de diz) 
4) Complemento relativo: 
"E as buscas / a que eu procedia, / sempre baldadas..." 
(GODOFREDO RANGEL) 
(a que: complemento relativo de procedia). 
Proceder a buscas = proceder a elas. 
5) Predicativo: 
"Vai pioneiro e solitrio o Arcebispo, como santo e desao panhado / que ele , neste mundo vazio..." (AUGUSTO MEY (que: predicativo) 
6) Adjunto adnominal: 
"As terras / de que era dono / 
valiam mais que um ducado." (CEcLIA MEIRELES) 
(de que: adjunto adnominal de dono) 
7) Agente da passiva: 
"Bendito e louvado seja 
Deus, por quem foste criada!..." (CECLIA MEIRELES) 
(por quem: agente da passiva) 
8) Adjunto adverbial: 
"Esses eram momentos / em que ela sofria / mas amava seu 
frimento." (CLARISSE LISPECTOR) 
(em que: adjunto adverbial de sofria) 
"Sei rezas! com que veno a qualquer mau olhado..." (MENC DEL PIccHIA) 
(com que: adjunto adverbial de veno). 
Ao contrrio dos demais, os relativos cujo, onde, quando, c 
tm funes privativas: 
- cujo (com suas flexes)  sempre adjunto adnominal; onde, quando e como funcionam exclusivamente como adji adverbial, respectivamente de - lugar, tempo e modo. 
270 
Exemplo: 
"Belmira entra com a bandeja / onde se enfileiram as taas de doce." (ERIco VERssIM0) 
(onde: adjunto adverbial de lugar de enfileiram). 
Restritivas e explicativas 
As oraes adjetivas ainda podem subclassificar-se em: restritivas 
e explicativas. 
a) A orao RESTRITIVA tem por ofcio delimitar o antecedente, com o qual forma um todo significativo; em razo disso, no pode ser suprimida, sob pena de a orao 
principal ficar prejudicada em sua compreenso: 
Os pecadores / que se arrependem, / alcanam o perdo de Deus. 
No se quer dizer a que 'todos e quaisquer pecadores alcanam o perdo de Deus'; a afirmao se restringe aos pecadores arrependidos (que se arrependem). Portanto, 
essa orao adjetiva se faz necessria, juntamente com o seu antecedente, para a justa expresso do nosso pensamento. 
b) A orao EXPLICATIVA  termo adicional, que encerra simples esclarecimento ou pormenor do antecedente - no indispensvel para 
a compreenso do conjunto: 
'Vozes d'Africa', / que  um poemeto pico, / representa um 
alto momento da poesia brasileira. 
A orao que  um poemeto pico d-nos uma informao suplementar acerca do antecedente, no apresentando nenhuma interferncia no entendimento da declarao principal 
- que subsiste sozinha. 
E de regra separar por vrgulas (ou travesses) a orao explicativa. 
H lnguas, como o ingls, que empregam relativos diferentes para 
um e outro caso: that caracteriza a restritiva, e who (whom) a explicativa. 
Relativos condensados 
Os relativos que, quem, quanto, onde e como podem usar-se sem 
antecedente, ou melhor - podem condensar em si duas funes: uma 
de um termo da orao principal, e outra de um termo da orao adjetiva. 
Assim que, num perodo como este: 
No hd quem dele se apiede -, 
o quem encerra e implica dois elementos (ningum / que), o primeiro dos quais  o objeto direto da orao principal, e o segundo o sujeito da orao adjetiva: 
271 
No h ningum / que dele se apiede. 
Outros exemplos: 
Diante disso, ele no teve que dizer. (nada / que) 
Procuro justamente a quem procuras. (aquele / a quem) 
Perdera no mar quanto trazia. (tudo / quanto) 
O carro enguiou onde no havia socorro. (num lugar / em que) 
Veja como fala! (o modo / como). 
Para efeito de anlise,  conveniente restaurar o antecedente omitido - com o que se tornar mais ntida a estrutura de cada uma das 
o raes. 
A tal tipo pertencem tambm as frases assim construdas: 
"Quem nasceu ao p do mar talvez no perceba essas coisas." 
(CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE) 
Quem tem boca, vai a Roma. 
Quem te avisa, teu amigo . -, 
que se analisam conforme o seguinte modelo: 
Aquele / que tem boca, / vai a Roma. 
Orao principal: Aquele vai a Roma. 
Orao subordinada adjetiva restritiva: que tem boca. 
Observao: 
"Puede faltar, [em latfnj, lo mismo que en griego, ei antecedente, y cl relativo basta para indicar ia relacin: P1. Epid, 594: Quod credidisti reddo por tibi reddo 
id, quod...; tambin puede esto suceder aun cuando ei antecedente fuera en caso oblicuo diferente del relativo: Cic. Tusc. V, 20: Xerxes praemi um proposuit, qui 
inuenisset nouam uoluptatem, esto es: praemium proposuil ei, qui..." (Antonio Tovar, Gra,ntica histrica latina, Madri, 1946, p. 228). 
Ernout-Thomas, que do este ltimo exemplo, comentam: i'absence de corrlatif 
souligne i'indtermination." (Syntaxe latine, Paris, 1951, p. 282). 
H1 condensaes bastante complexas, como a de frases semelhantes  seguinte passagem de Caines (Lrica, edio de Jose Maria Rodrigues e Afonso Lopes Vieira, 
Coimbra, 1932, p. 232): 
'Ao vento estou palavras espalhando; 
A quem as digo, corre mais que o vento." -, 
na qual o quem (= aquela / a quem) engloba o sujeito da orao principai e o objeto 
indireto da orao adjetiva. 
As diferentes possibilidades dessas condensaes em portugus foram estudadas por Mrio Barreto, Novssimos estudos da lngua portuguesa, 2 cd., Rio de Janeiro, 
Francisco Alves, 1924, pp. 131-137; e Sonsa da Silveira, Trechs,s seletos , 6 cd., Rio de Janeiro, F. Briguiet, 1961, p. 306, nota 3. 
REDUZIDAS 
Oraes adjetivas podem converter-se em reduzidas de particpio 
presente, de particpio passado, de gerndio (num caso particular) e 
de infinitivo. 
272 
1) Reduzida de particpio presente. 
Neste tipo de construo - cultismo sinttico de emprego raro na 
linguagem contempornea -,  particpio presente mantm o seu originrio valor verbal: 
Este  o caminho / conducente  glria. -, 
equivalente a: 
Este  o caminho / que conduz  glria. 
Eis um exemplo quinhentista: 
"Ali o rio / corrente 
De meus olhos / foi manado;" (CAMES) 
(o rio corrente de meus olhos - o rio que corre de meus olhos). 
Ao lado do exemplo de Cames, leia-se este - do atualssimo Carlos Drummond de Andrade: 
"Quando me acontecer alguma pecnia, / passa ate de um milho 
de cruzeiros, / compro uma ilha;" 
2) Reduzida de particpio passado. 
Hospedaram-se em minha casa uns parentes / chegados ontem 
do interior. -, 
equivalente a: 
Hospedaram-se em minha casa uns parentes / que chegaram ontem do interior. 
3) Reduzida de gerndio. 
Somente ocorre com o chamado gerndio progressivo, o qual, preso a um substantivo, ou pronome, da orao principal (e no a um verbo), expressa uma ao em desenvolvimento, 
um fato que se est passando momentaneamente com o ser representado por esse substantivo, ou pronome. 
Vale o gerndio, em construes assim, por uma expresso formada 
de a + infinitivo. 
Exemplos: 
"Vede Jesus / despejando os vendilhes do templo. . .' '(RuI BARBOSA) 
E, com idntica interpretao, vejam-se estes exemplos colhidos na 
prosa de exemplar escritor de nossos dias: 
"...  fcil encontrar defunto / apodrecendo pelos caminhos..." 
"Surge ao longe um bananal / oscilando suas folhas tostadas de vento frio." (ANBAL M. MACHADo) 
273 
4) Reduzida de infinitivo. 
Se, no exemplo de Rui Barbosa mencionado no item anterior, tr 
cssemos o gerndio pelo infinitivo precedido da preposio "a", pw 
saramos a ter uma orao adjetiva, reduzida de infinitivo: 
Vede Jesus / a despejar os vendilhes do templo. 
Eis uma bela passagem de Alusio Azevedo, onde se sucedem ora 
dessa espcie: 
"Aqueles homens gotejantes de suor, hbedos de calor, desva rados de insolao, / a quebrarem, / a espicaarem, / a torti rarem a pedra, / pareciam um punhado de 
demnios revoltadc na sua impotncia contra o impassvel gigante." 
3. ORAES ADVERBIAIS 
Assim se denominam porque, equivalentes a um advrbio, figurar 
como adjunto adverbial da orao a que se subordinam. 
Quando desenvolvidas, comeam por conjuno subordinativa (e ceto por conjuno integrante, que, como sabemos,  ndice das ora substantivas); quando reduzidas, 
aceitam - muitas delas - as forml infinitiva, gerundial e participial. 
Repassemos, a seguir, as principais peculiaridades dessas orae 
1) CAUSAIS 
A orao causal indica o fato determinante da realizao, ou nc 
realizao, do que se declara na principal. 
Quando reveste a forma DESENVOLVIDA, vem encabeada pela cor juno tpica porque - ou, com leves matizes de emprego, por ur sucedneo desta: como, desde que, j 
que, pois, pois que, porquant que, uma vez que, Visto como, visto que. 
As oraes de porque enunciam-se mais comumente depois da prir 
cipal, no sendo, todavia, rgido, esse uso: 
A formiga no receia o inverno, / porque economiza no verc Porque economiza (ou economize) no vero, / a formiga no r ceia o inverno. 
"As conjunes pois, pois que, porquanto, servem para mostra 
que a causa  um acontecimento evidente: 
Os maus no tm juzo, pois deixam a Deus pelo mundo."* 
Estas oraes vm sempre pospostas. 
* Said Ali, Gramtica secundria, eh., p. 148. 
274 
Ao contrrio, orao introduzida por como fica obrigatoriamente antes da principal: 
Como o pobre rapaz errou uma vez, perderam a confiana nele. 
As demais (desde que, j que, uma vez que, visto como e visto que) colocam-se facultativamente antes ou depois da principal, mas a anteposio, ao que parece, lhes 
comunica certa colorao enftica - o que decerto h de ter concorrido para tornar-se esta a posio geralmente preferida: 
Desde que saiu sem permisso, / despedi-lo-ei. 
J que cumpres teu dever, / no ds importncia a crfticas de 
invejosos. 
Uma vez que no me querem aqui, / jamais pisarei nesta cidade. 
Visto que assim o desejas, / assim o farei. 
Observao: 
As conjunes que e porque ora tm valor coordenativo (conjunes explicativas), ora valor subordinativo (conjunes causais). Em certas lnguas, distinguem-se estes 
dois papis pela diversidade de partcula: no primeiro caso, equiparam-se ao francs car, ao ingls for e ao alemo denn; no outro, valem, respectivamente, por parce 
que, because e weil. 
Nem sempre  fcil, por sem dvida, diferen-las com nitidez. Todavia, atente- 
se para os seguintes traos caracterizados de uma e outra: 
a) Valor coordenativo: 
A orao coordenada de que e porque, como, alis, qualquer orao coordenada,  feita para introduzir uma idia nova, dentro de uma seqncia do tipo A + A. Por 
encerrar a justificao do que se disse na orao anterior, tem, forosamente, de seguir-se a esta. Por Outro lado, separa-a da orao antecedente uma pausa de certa 
durao - pausa que, com freqncia, se assinala por ponto-e-vfgula e, at, por ponto simples, alm de se marcar, naturalmente, por vrgula: 
No  orao aceitvel a do ocioso; porque a ociosidade o dessagra." 
'Os maus' s lhe inspiram tristeza e piedade. S o 'mal'  o que o inflama em 
dio. Porque o dio ao mal  o amor do bem, e a ira contra o mal, entusiasmo divino" 
(ambos os exemplos so de Rui Barbosa, na clebre Orao aos moos). 
b) Valor subordinativo: 
A orao subordinada de que e porque  parte de outra orao, na qual funciona como adjunto adverbial - dentro de um esquema do tipo determinado + determinante, 
ou por outras palavras: principal + dependente. E entre elas existe, necessariamente, uma relao de 'causa' e 'conseqncia'. 
Eis a a verdadeira pedra-de-toque: a orao principal encerra sempre a conseqncia do que se declarou na subordinada, e nesta, por sua vez, se apresenta a razo 
sem a qual no haveria aquela conseqncia. Em suma: so partes correlativas do mesmo todo. 
Alm disso, a subordinada causal pode antepor-se  principal,* caso em que dela 
* Em francs, passa o mesmo entre car e parce que: "On dit: Parce qu 'il est malade, ii ne vi ei idra pas, en renversant les termes, et rien n'est plus naturel si 
ces deux termes sont les parties corrlatives d'un tout. Mais on ne dit pas: Car il esr ,nalade, ii ne viendra pas, et cela est tout  fait caractristique de la 
coordination; car est fait pour introduire une nouvelle ide." (Albert Sechehaye, Essai sur la structure logique de la phrase, Paris, Champion, 1950, p. 183). 
275 
se separa por pausa menor, marcada por vrgula; pospondo-se-lhe, pode tambm isolar-se por vrgula, ou, at, dispensar sinal de pontuao. 
Comparem-se os exemplos: 
Espere-me wn instante, que (porque) no demorarei. 
(Evidentemente, no existe, a, nenhuma relao de causa e conseqncia; com 
a segunda orao, faz-se to-s uma justificao do que se recomendara na primeira.) 
J na frase: da pr 
O capitalista se matou / porque estava arruinado. -, o u 
a orao 'porque estava arruinado' nos informa sobre a condio determinante, a razo 
eficiente da morte do capitalista. Se ele no estivesse arruinado, no se teria matado; O 
portanto, o estar arruinado (causa) foi o que acarretou o ter-se matado (conseqncia). entre 
Como REDUZIDA, a orao causal exprime-se: 
a) Pelo gerndio: 
Conhecendo o seu passado,! confio no seu futuro. 
b) Pelo infinitivo regido das preposies por e visto, assim como pelas locues em razao de, em virtude de, em vista de, por motivo de: 
por praticares o bem. gem 
visto praticares o bem. a qu 
em razo de praticares o bem. 
Deus te ajuda em virtude de praticares o bem. 
em vista de praticares o bem. 
por motivo de praticares o bem. b) 
2) CONCESSIVAS (OU DE OPOSIO) 
A orao concessiva expressa um fato - real, ou suposto - que 
poderia opor-se  realizao de outro fato principal, porm no frus trar o cumprimento deste. E 
Com efeito, num perodo como: bios 
Irei v-la, / ainda que chova. -, 
entende-se que a hiptese apresentada na segunda orao (ainda que 
chova) no impedir o propsito manifestado na orao precedente (Irei A 
v-la) - embora pudesse constituir obstculo  sua consumao. a 
Do ponto-de-vista da forma, o pensamento concessivo pode 
representar-se por meio de orao DESENVOLVIDA, ou de orao RE- b' 
DUZIDA. tant 
Como DESENVOLVIDA, vem comeada: 
a) Por uma das conjunes ainda que, ainda quando, apesar de que, con quanto, embora, mesmo que, se bem que, sem que - sempre com 
verbo no subjuntivo: 
276 
Ainda que eu vivesse mil anos, Ijamais esqueceria aquela magoa. 
Embora se esforce muito, / no progride na vida. 
No progride na vida, / se bem que se esforce muito. 
Como se v, a orao concessiva pode colocar-se antes ou depois 
da principal. A anteposio parece que lhe d maior relevo, e permite 
o uso, na orao principal, de uma palavra ou expresso que realce 
o contraste de idias, tais como: ainda assim, mesmo assim, contudo, 
entretanto, sempre, todavia e outras: 
Embora se esforce muito, / (ainda assim, mesmo assim, entretanto) no progride na vida. 
Posto que se tivesse rebelado contra o comandante, / (sempre, todavia) acabou por acatar-lhe as ordens. 
Sem que seja estudante excelente, / faz-se (contudo) respeitar de mestres e colegas. 
A conjuno que, empregada como concessiva, oferece, na linguagem moderna, a particularidade de no iniciar a orao em que figura, 
a qual comear, ento, por um predicativo, ou complemento: 
Poderosos que sejam, / no me curvarei  vontade deles. 
Mil anos que eu vivesse, / jamais esqueceria aquela mgoa. 
b) Por uma das locues por mais... que, por muito... que, por pouco... que, etc.; ou simplesmente por... que: 
Por mais forte que ela seja, / no resistira a dor tamanha! Por muito depressa que andes, / dificilmente o alcanars. Por verdadeiras que sejam tuas palavras, / 
ningum acreditar nelas. 
Estas mesmas locues - sem interposio de adjetivos, ou advrbios - modificam diretamente o verbo que vem depois: 
Por mais que argumentes com talento, / o jri recusar tuas razes. 
Por pouco que ajudes, / sempre ser precioso o teu auxflio. 
Apresentando-se sob a forma de REDUZIDA, a concesso enuncia-se: 
a) Pelo gerndio: 
No sendo mdico, / ele faz, todavia, curas milagrosas. 
b) Pelo infinitivo regido de uma das locues apesar de, no obstante, sem embargo de, a despeito de: 
apesar de ele ser inocente. 
Condenaram Dreyfus, no obstante ele ser inocente. 
sem embargo de ele ser inocente. 
a despeito de ele ser inocente. 
277 
3) CONDICIONAIS (E HIPOTTICAS) 
A orao condicional apresenta a circunstncia de que depende a 
realizao do fato contido na principal. 
Nas mais comuns de suas formas, tais oraes podem expressar: 
a) Um fato de realizao impossvel (hiptese irrealizvel): 
Se eu tivesse vinte anos, / casar-me-ia com voc. 
b) Um fato cuja realizao  possvel, provvel, ou desejvel: 
Se eu algum dia ficar rico, / no me esquecerei de meus amigos. 
c) "Desejo, esperana, pesar (geralmente em frase exclamativa e reticenciosa, em que a orao principal, quase sempre subentendida, traduz um complexo de situaes 
mais ou menos indefinvel ou no claramente mentado): 
Ah! - se eu soubesse!... 
Se ele deixasse!... 
Se a gente no envelhecesse!. .." 
A conjuno condicional caracterstica  se, que requer o verbo no subjuntivo (pretrito imperfeito, pretrito mais-que-perfeito, futuro); mas  lcito traz-lo 
no indicativo, quando denota fato real, ou admitido como real, em contradio com outro acontecimento: 
Como queres progredir, / se no te esforas no trabalho? 
Ainda sob a forma DESENVOLVIDA, a orao condicional pode ser 
encetada pelas conjunes caso, contanto que, dado que, desde que, 
sem que, uma vez que, a menos que: 
Caso desaparea a causa, / cessar o efeito. 
Dado que desaparea a causa, / cessar o efeito. 
Desde que desaparea a causa, / cessar o efeito. 
Uma vez que desaparea a causa, / cessar o efeito. 
A conjuno contanto que parece transmitir  condio valor mai 
impositivo: 
Emprestar-te-ei o livro, / contanto que mo restituas amanh. 
Com a mesma fora imperativa, tambm se usa de sem que, a me 
nos que, salvo se: 
No d conselhos, / sem que lhe sejam pedidos. 
No d conselhos, / a menos que lhe sejam pedidos. 
No d conselhos, / salvo se (exceto se) lhe forem pedidos. Observe-se a correlao dos modos e tempos verbais exigidos pela 
diversas conjunes. 
* Othon M. Garcia, Comunicao em prosa moderna, 7 a ed., Rio de Janeiro, Fur dao Getlio Vargas, 1978, p. 75. 
278 
Para comunicar  construo maior leveza, pode-se prescindir de conjuno - caso em que a orao condicional costuma anteceder a 
condicionante e ter o verbo antes do sujeito: 
No estivesse eu ausente do Rio, / teria comparecido ao seu casamento. 
Como REDUZIDA, a orao condicional se converte: 
Ao gerndio: 
Desaparecendo (em desaparecendo) a causa, / cessar o efeito. 
Ao particpio: 
Desaparecida a causa, / cessar o efeito. 
Ao infinitivo: 
A desaparecer a causa, / cessar o efeito. 
Na ltima dessas construes, de teor por excelncia literrio, o infinitivo vem regido pela preposio a e equivale a orao desenvolvida 
de verbo no pretrito ou no futuro do subjuntivo: 
"(...) mas tudo to caro que, a no haver inconvenincia, ousarei dizer que a comedela foi a maior fraude que se tem feito com santos em Braga". (CAMILo CASTELO 
BRANCO) 
"Contava muita vez uma viagem que fizera  Europa, e confessava que, a no sermos ns, j teria voltado para l..." (MACHADO DE Assrs) 
4) CONFORMATIVAS 
A orao conformativa traduz a conformidade de um pensamento 
com o pensamento contido na orao principal. 
Inicia-se por uma das conjunes conforme, consoante, segundo e 
como (com o sentido de conforme) - e s aceita a forma de orao 
desenvolvida. 
Exemplos: 
Os fatos se passaram / conforme a cigana os previra. 
Como disse Buda, / tudo  dor. 
5) COMPARATIVAS 
A comparao se realiza, no plano do perodo composto por subordinao, mediante uma construo de dois membros em que um  posto 
em cotejo com o outro. 
Sua expresso formal  sempre a de orao DESENVOLVIDA. 
H dois tipos fundamentais de orao comparativa: 
a) Assimilativas - cuja apresentao se faz com a conjuno como, equivalente a 'do mesmo modo que': 
279 
"Como uma cascavel que se enroscava, / 
A cidade dos lzaros dormia..." (AUGUSTO DOS ANJOS) 
Abrindo o perodo, a partcula como pode vir simples, ou reforada 
por expresses intensivas deste tipo: como... assim; assim como... assim (ou assim tambm): 
Como linhas paralelas que no se encontram, / assim caminham nossas vidas. 
Assim como o condor tem por ptria a imensidade, / assim tambm o homem nasceu para ser livre. 
b) Quantitativas - em que se estabelece um confronto entre fatos semelhantes (comparao de igualdade), ou fatos dissemelhantes (comparao de superioridade, ou 
de inferioridade). 
Este confronto se concretiza por meio de frmulas correlativas, assim discriminveis: 
que ou do que (relacionados a mais, menos, maior, menor, melhor, pior); 
qual (relacionado a tal, como); 
quanto (relacionado a tanto); 
como (relacionado a tal, to e tanto). 
Exemplos: 
O silncio  mais precioso / que (do que) o ouro. 
Voc procedeu tal / qual (como) eu esperava. 
O cirurgio fez tanto / quanto seria possvel. 
Nada o pungia tanto, / quanto (como) o sorriso triste daquela 
criana. 
Freqentemente, d-se, na orao comparativa, a elipse de termos 
da orao principal, os quais a inteligncia supre com facilidade: 
No penso / como voc [pensai. 
A Vida  mais bela / do que a Arte [ bela]. 
Nas construes com a conjuno como,  comum omitir-se o antecedente correlativo: 
A cidade estava (to) silenciosa / como um cemitrio. 
Voc fala (tanto) / como um papagaio! 
Para a comparao referida a fato inexistente emprega-se o conglomerado comparativo-hipottico como se, com o verbo no imperfeitc 
do subjuntivo: 
"O velho fidalgo estremeceu / como se acordasse sobressaltado..." (REBELO DA SILVA) 
280 
6) CONSECUTIVAS 
A orao consecutiva exprime o resultado que a declarao feita 
na principal vem desencadear. 
Em seu tipo mais caracterstico, quando de forma DESENVOLVIDA, apresenta-se encabeada pela conjuno que e posposta  orao subordinante, onde se encontram as 
partculas de intensidade to, tal, tanto e tamanho: 
Ele foi to generoso, / que me deixou pasmado! 
Fizeram-me tais promessas, / que no vacilei em acompanh-los. 
A r inchou tanto, / que estourou. 
Foram tamanhas as suas provaes, / que o pobre homem suumhiu de tristeza. 
s vezes, a partcula de intensidade fica subentendida: 
Chovia / que era um horror! 
(Isto : Chovia tanto que era um horror!) 
Casos h em que a identificao dessa partcula se torna menos fcil, em razo de estar ela implcita numa situao gerada pelo contexto. 
E o que se v nos trs exemplos seguintes: 
"Deus!  Deus! onde ests que no respondes?" (CASTRO ALVES) 
(A fora intensiva est concentrada no onde = em que lugar tal?) 
"Eu tinha umas asas brancas, 
Asas que um anjo me deu, 
Que, em me eu cansando da terra, 
Batia-as, voava ao cu." (GARRETT) 
(Deve entender-se: asas [tais], que...) 
"So as afeies como as vidas, que no h mais certo sinal de 
haverem de durar pouco, que terem durado muito." (VIEIRA) 
(Eis a boa interpretao: So as afeies como as vidas, [tais] que...) 
 tambm consecutivo o que seguido de no, quando se liga a outra 
orao tambm negativa, em estruturas assim: 
No discute religio, / que no se exalte logo. 
No abre a boca uma vez, / que no diga tolices. 
A fim de dar mais nfase  construo, recorre-se s locues de 
(tal) modo que; de (tal) sorte que; de (tal) fonna que - e outras do 
mesmo gnero: 
Esconderam de tal modo o dinheiro, que no sabem onde ele est. 
281 
Omitida a palavra tal, algumas dessas locues passam a pertencer em bloco,  segunda orao (de modo que, de maneira que, de sort que, deforma que) e valem por 
conjunes consecutivas em exemplo como o seguinte, nos quais a orao principal deve estar completa 
Dei-lhe todas as explicaes; / de sorte que j no h motivo par 
ressentimentos. 
Porm, nas frases abaixo, a conjuno consecutiva  apenas o qu 
pois de maneira e de modo funcionam como adjuntos adverbiais na 
respectivas oraes: 
Procedeste de maneira / que no mereces perdo. 
Explicarei a lio de modo / que todos me entendam. 
O pensamento consecutivo pode ser enunciado por orao REDI. ZIDA de infinitivo, sendo o verbo regido das preposies de e sen 
ou da locuo a ponto de: 
O corcunda de Notre-Dame era feio / de meter medo. 
No abre a boca uma vez / sem dizer tolices. 
O pole dissecou a mosca azul / a ponto de faz-la sucumbir 
"A histria do pai do primo de Lula era triste / de cortar o C( 
rao." (JOS UNs DO REGO) 
7) FINAIS 
De forma DESENVOLVIDA, trazem no rosto uma das conjunes pai 
que, afim de que e que (com o sentido de para que), e verbo no sul 
juntivo: 
Simulou doena, / para que o deixassem sair. 
Trabalha muito, / a fim de que nada falte  famlia. 
Insisto / que me digas a verdade. 
Menos usual  a conjuno porque (= para que): 
Porque venas esse teu orgulho, /  preciso muita humildade 
Como REDUZIDA, vai para o infinitivo precedido de para, afim c 
e por: 
rpara alcanar perdo. 
Reze com fervor, li' fim de alcanar perdo. 
Esfora-te / por seres o primeiro. 
8) MODAIS 
O modo (juntamente com o tempo e o lugar)  a mais fundament das circunstncias. Mas em portugus, assim como no existem coi 
junes locativas, assim tambm no existem conjunes modais; ( 
282 
sorte que, no plano do perodo composto por subordinao, a circunstncia de modo somente aparece sob a forma de orao REDUZIDA (de gerndio): 
"A disciplina militar prestante 
No se aprende, Senhor, na fantasia, 
Sonhando, imaginando, ou estudando, 
Seno vendo, tratando e pelejando." (CAMES) 
9) PROPORCIONAIS 
Denotam "aumento ou diminuio que se faz paralelamente no mesmo 
sentido ou em sentido contrrio a outro aumento ou diminuio."* 
Usam-se para isso as seguintes expresses correlativas: 
quanto mais... (tanto) mais; 
quanto menos... (taizto,) menos, 
quanto mais... (tanto) menos; 
quanto menos... (tanto) mais; 
quanto maior... (tanto) maior; 
quanto melhor... (tanto) pior; 
quanto maior... (tanto) menor, etc. 
Exemplos: 
Quanto mais convivo com ele, / (tanto) mais o aprecio. 
Quanto maior a altura, / (tanto) maior o tombo! 
Outra apresentao das oraes proporcionais consiste em fazerem- 
se introduzir por locues como  medida que e  proporao que: 
A inundao aumentava /  medido que subiam as guas do rio. 
Ganhamos experincia /  proporo que envelhecemos. 
10) TEMPORAIS 
E papel da orao temporal trazer  cena um acontecimento ocorrido antes de outro, depois de outro, ou ao mesmo tempo que outro. 
Para cada um desses aspectos possui a orao temporal, quando DESENVOLVIDA, conjunes apropriadas. 
A mais geral das partculas  quando, com a qual se exprime, de 
maneira mais ou menos vaga, a ocasio em que passa um fato: 
Quando a morte chegou, / encontrou-o em paz com Deus. 
* Said Ali, GramAtica secundria da lngua portuguesa, cit., p. 146. 
283 
Para assinalar fato imediatamente anterior a outro, dispe a lngw das conjunes assim que, logo que, tanto que, mal que, mal, apenas 
Assim que o professor entrou, / os alunos se levantaram. 
Tanto que ps os ps na Lua, / o astronauta se comunicou con 
a Terra. 
O rapaz, / apenas viu a ex-noiva, / ficou plido e trmulo. Fato posterior a outro aponta-se por antes que, primeiro que: 
Voc deve estudar um pouco mais, / antes que comece a ensinar 
A durao de um fato ou a simultaneidade de acontecimentos expri 
me-se por enquanto: 
Enquanto morou aqui, / procedeu com muita correo. 
Malha-se o ferro / enquanto est quente. 
A iterao, ou repetio peridica, marca-se pelas locues sempr 
que, cada vez que, todas as vezes que: 
Sempre que a vejo, / sinto-me inibido. 
A conjuno desde que diz o mesmo que 'a partir do momento ei 
que', fixando, portanto, o incio de um ato duradouro - cujo term 
ou limite se indica por at que: 
O homem sofre / desde que nasce / at que morre. 
Para dar  circunstncia de tempo forma de orao REDUZIW 
serv imo-nos: 
a) Do gerndio: 
Chegando (em chegando) o inverno, / a cigarra bateu  pori da formiga. 
Tendo chegado (sendo chegado) o inverno, / 
b) Do infinitivo precedido de ao, ou at, ou antes de, ou depo de, etc.: 
Ao amanhecer, / os galos cantam com alegria. 
Entre por essa estrada, / at encontrar uma cruz de pedra. 
Estude bem esta lio, / antes de passarmos a outra. 
c) Do particpio: 
Terminado o exame oral, / o inspetor leu as notas dos aprovado 
s vezes, empregamos o particpio seguido de que e do verbo se 
Terminado que foi o exame oral, / 
A circunstncia de tempo ainda pode assumir forma de orao JU 
TAPOSTA. Isto acontece unicamente em casos assim: 
No o vejo / h duas semanas. 
Faz quase meio sculo, / deixvamos o nosso pas. 
284 
DA ORAO PRINCIPAL 
Se tomssemos a orao: 
A chegada do padre, todos lhe pediram a bno, 
e amplissemos o adjunto adverbial ( chegada do padre) e o objeto direto (a bno), apresentando estes dois termos sob a forma de oraes subordinadas, constituiramos 
um per(odo: 
[Logo que o padre chegou], [todos lhe pediram] [que ele os abenoasse]. 
Deste perodo extrairamos as subordinadas (logo que o padre chegou - subordinada adverbial temporal) e (que ele os abenoasse - subordinada substantiva objetiva 
direta) e diramos, ento, que a orao principal : todos lhe pediram. 
Pode dar-se que de uma orao principal se origine uma subordinada, que, por sua vez, tenha um de seus termos ampliado em outra 
subordinada: 
Peo-lhe / que no retarde a leitura do livro / que lhe emprestei. 
Em casos assim, alguns autores consideram a segunda orao, simultaneamente, subordinada em relao  primeira e principal em relao  terceira. 
Entendendo ns que o perodo composto por subordinao se arma 
assim  guisa de uma 'constelao sinttica' em torno da orao principal, ratificamos estas palavras do professor Celso Cunha: 
"Em verdade, a ora o principal (ou um de seus termos) serve sempre de suporte a uma orao subordinada. Mas no  esta a sua caracterstica essencial; e, sim, 
o fato de no exercer nenhuma funo sinttica em outra orao do perodo. Ora, no perodo composto por subordinao s h uma que preenche tal condio. A esta, 
pois, se deve reservar, com exclusividade, o nome de principal."* 
Caso diferente  aquele em que o perodo se divide em dois (ou mais) 
blocos coordenados: 
[Algum me disse] [que ela voltou], 
mas [vi logo] [que era mentira]. 
A, h duas oraes principais: Algum me disse (a que se subordina 
* Celso Cunha, Gramtica do portugus contemporneo, Belo Horizonte, Bernardo Alvares, 1970, p. 401. 
285 
que ela voltou) e vi logo (de que depende que era mentira); mas essas oraes principais figuram num perodo misto e esto coordenadas. 
Da mesma forma, podem ligar-se por coordenao duas (ou mais) 
oraes subordinadas: 
(que voc estude ) 
Seu pai deseja e 
(. que se forme. ) 
Neste perodo, as oraes que voc estude e que se forme (ambas 
subordinadas a seu pai deseja) vm coordenadas entre si. 
CONSTELAO SINTTICA 
Ao explicarmos o conceito de orao principal (p. 285), usamo 
do expediente, merameizte did&ico, de pr entre colchetes as trs orae 
que figuram no exemplo citado. 
Todavia, armando-se o perodo composto por subordinao assin a modo (como j o dissemos) de uma 'constelao sinttica' -, a ver dade  que a dita ORAO PRINCIPAL, 
JUNTAMENTE COM AS DEMAIS 
forma um bloco sinttico-semntico de tal ordem uno e coeso, que n pode ter separadas as partes que o integram. 
Se considerarmos o perodo atrs mencionado: 
Logo que o padre chegou, todos lhe pediram que ele os abenoasse 
logo entenderemos que, para a transmisso do pensamento nele expresso necessitamos das trs oraes em conjunto -, tanto  certo que, en caso contrrio, esse pensamento 
ficaria mutilado, ou desconexo, mesmo acontecendo com cada qual das oraes, porque, em verdade elas so interdependentes. * 
* o mesmo passa, nu1tatis nwdandi' com o perodo composto por coordenac (Cf. p. 260.) 
286 
